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Um H&dM em São Paulo?

Monday, December 15th, 2008
Na semana passada, a equipe do escritório de Herzog & de Meuron deixou o Brasil, levando todos os dados e levantamentos necessários para o projeto do Teatro de Ópera e Dança de São Paulo. O projeto deve ser entregue em março, com início das obras previstas para julho, com término no final de 2010. Veremos.
Os arquitetos suiços (que eu já falei muita coisa que fizeram) foram os escolhidos pela Secretaria da Cultura, que tinham como opções nomes de peso como o OMA, Norman Foster e Cesar Pelli. Entretanto, a dupla vai ter que adequar seu projeto a uma série de especificações técnicas da empresa inglesa Theatre Projects Consultants, especialista na construção de teatros. Para nós soa até estranho que um órgão público esteja mais preocupado com a qualidade da construção do que a mídia a que ela vai servir, ?
O teatro vai ocupar o quarteirão em frente à Sala São Paulo, onde antes ficava a rodoviária da cidade, e hoje é ocupado por um pseudo-shopping de gosto duvidoso. Por enquanto, só notícia boa. Um teatro novo, com um projeto fodástico, em área de grande potencial de revitalização, e acabando com a feiúra existente.

Mas nem tudo está correndo com tranqüilidade. Primeiro, pressionado pela opinião pública, o IAB solicitou explicações a respeito da contratação do escritório suiço, alegando que o processo de escolha é nebuloso e que pode ter havido negociações ilegais. Segundo, muito está se discutindo sobre a comissão oferecida aos arquitetos, que varia de 6,5 a 8,5% do valor da obra. Considerando-se que o orçamento para o teatro é de R$300 milhões, tem muita gente achando absurdo eles ganharem pelo menos R$19 milhões por um ’simples projeto’. E terceiro e inevitável, é o bairrismo brasileiro que não se conforma com a não inlcusão de nomes brasileiros entre os concorrentes.
Se a contratação é irregular ou não, já sabemos que nunca vamos descobrir, e vamos contar com o IAB, que sempre foi uma instituição muito responsável, para manter o mínimo de controle sobre o assunto. Agora, é inacreditável que o brasileiro ainda ache que projeto é apenas um desenho e que não precisa pagar por isso. Quando é uma ponte horrorosa que não serve para nada, tudo bem, mas quando é um equipamento de cultura…. Fora isso, Niemeyer pode construir em Paris, Paulo Mendes em Lisboa, e aqui não pode ter estrangeiro trabalhando? Nem preciso dizer o quanto a paisagem chinesa se modificou com a interferência internacional, e nós claramente não estamos dando conta da nossa. Então por que não tentar? Eu estou esperando ansiosamente.

O retrofit no mundo

Monday, September 8th, 2008
A arquitetura foi, desde as primeiras grandes civilizações, a arte máxima do espaço, a transformação de áreas de culto aos deuses em majestosos templos e de enormes residências de nobres em suntuosos palácios. Uma arte aplicada ao meio. O modernismo marcou a primeira metade do século XX pela transformação da arquitetura em uma arte associada a uma ciência. Os arquitetos jogavam utopias sobre o ser humano em uma tentativa vã de dobrá-la aos seus ideais, criando novas realidades. O pós-modernismo veio corrigir a hierarquia do trabalho, fazendo os arquitetos subjugarem seu trabalho ao entendimento dos sistemas de relações interpessoais e urbanos, construindo em função do seu usuário.
Um dos maiores desafios da arquitetura contemporânea já não tem a ver com o objetivo final, que é a população. Tem sim que lidar com o material extremamente heterogêneo que a história oferece, e que mais do que nunca pediu soluções emergenciais. Cidades inchadas, sufocadas em seus próprios terrenos, tendendo à decadência e ao colapso urbano. Nova Iorque, por exemplo, fechada em suas ilhas, não tem saída a não ser alguns fenômenos de revitalização como o do tão falado Meat Packing District, catapultado ao status de hype a partir de ações físicas efetivas e uma ajudinha de marketing por quatro novaiorquinas promíscuas de uma série de TV.
Dois projetos muito similares mostram como o patrimônio histórico é tratado como um artigo vivo no mundo, e não como peça de museu.
O primeiro projeto é da livraria El Ateneo, localizada em plena Avenida Santa Fé, em Buenos Aires, de autoria de Fernando Manzone. O edifício construído há mais de um século no moldes nos nossos teatros municipais abrigava espetáculos musicais. Seus camarotes deram lugar a seções especiais e lounges de leitura, seu vão livre recebeu escadas rolantes e o subsolo hoje comporta um auditório para 200 pessoas e um playground literário para o público infantil. O programa ainda tem área de exposição e comercialização de arte, salas de internet e café.

Com a mesma proposta de livraria, mais em condições ainda mais ousadas, o grupo BGN e o governo da cidade de Maastricht se uniram para revitalizar uma igreja dominicana pertencente a uma congregação religiosa entre 1360 e 1794. O estúdio Merck+Girod, autor do projeto, não quis interferir nos incríveis vitrais e nas vertiginosas arcadas ogivais do templo, e preferiu construir a livraria Selexyz em uma estrutura independente que não interferisse nas perspectivas da igreja e ainda dobrasse a área comercial, a pedido do cliente.
A solução foi uma gigantesca estante de livros de três andares, circundada por passarelas e escadas que tomam apenas uma lateral da nave central. A área do altar recebeu um café da grife Coffeelovers e uma enorme mesa de leitura em forma de cruz. Convenhamos, você compraria seus livros em um shopping center se tivesse uma igreja gótica ao seu dispor?
Fotos de mais livrarias e bibliotecas incríveis pelo mundo eu achei aqui e aqui.

China cinco-estrelas, por Daniel Piza

Thursday, August 7th, 2008
O jornalista Daniel Piza escreveu uma coluna no jornal de hoje no caderno de esportes do Estado de São Paulo falando sobre a nova arquitetura chinesa como o grande vencedor a priori dos Jogos Olímpicos de Pequim. Ele cita 5 obras grandiosas como expoentes de uma nova estética arquitetônica. São elas: o Estádio Nacional de Herzog & de Meuron, o WaterCube de PTW Architects, a nova sede da rede estatal CCTV de Rem Koolhaas, o Grande Teatro Nacional do francês Paul Andreu e o terminal 3 do Aeroporto de Pequim, projetado por sir Norman Foster.
100% ocidental, é verdade, mas inteiramente concretizada no Oriente. Parece que nós do oeste cansamos de tentar inovar e nos conformamos com fórmulas prontas. Os chineses, ávidos por novidades que a abertura de mercado trouxe ao país, cada vez mais bancam os projetos mais mirabolantes e interessantes da atualidade.
O texto completo você encontra aqui.