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O retrofit no mundo

Monday, September 8th, 2008
A arquitetura foi, desde as primeiras grandes civilizações, a arte máxima do espaço, a transformação de áreas de culto aos deuses em majestosos templos e de enormes residências de nobres em suntuosos palácios. Uma arte aplicada ao meio. O modernismo marcou a primeira metade do século XX pela transformação da arquitetura em uma arte associada a uma ciência. Os arquitetos jogavam utopias sobre o ser humano em uma tentativa vã de dobrá-la aos seus ideais, criando novas realidades. O pós-modernismo veio corrigir a hierarquia do trabalho, fazendo os arquitetos subjugarem seu trabalho ao entendimento dos sistemas de relações interpessoais e urbanos, construindo em função do seu usuário.
Um dos maiores desafios da arquitetura contemporânea já não tem a ver com o objetivo final, que é a população. Tem sim que lidar com o material extremamente heterogêneo que a história oferece, e que mais do que nunca pediu soluções emergenciais. Cidades inchadas, sufocadas em seus próprios terrenos, tendendo à decadência e ao colapso urbano. Nova Iorque, por exemplo, fechada em suas ilhas, não tem saída a não ser alguns fenômenos de revitalização como o do tão falado Meat Packing District, catapultado ao status de hype a partir de ações físicas efetivas e uma ajudinha de marketing por quatro novaiorquinas promíscuas de uma série de TV.
Dois projetos muito similares mostram como o patrimônio histórico é tratado como um artigo vivo no mundo, e não como peça de museu.
O primeiro projeto é da livraria El Ateneo, localizada em plena Avenida Santa Fé, em Buenos Aires, de autoria de Fernando Manzone. O edifício construído há mais de um século no moldes nos nossos teatros municipais abrigava espetáculos musicais. Seus camarotes deram lugar a seções especiais e lounges de leitura, seu vão livre recebeu escadas rolantes e o subsolo hoje comporta um auditório para 200 pessoas e um playground literário para o público infantil. O programa ainda tem área de exposição e comercialização de arte, salas de internet e café.

Com a mesma proposta de livraria, mais em condições ainda mais ousadas, o grupo BGN e o governo da cidade de Maastricht se uniram para revitalizar uma igreja dominicana pertencente a uma congregação religiosa entre 1360 e 1794. O estúdio Merck+Girod, autor do projeto, não quis interferir nos incríveis vitrais e nas vertiginosas arcadas ogivais do templo, e preferiu construir a livraria Selexyz em uma estrutura independente que não interferisse nas perspectivas da igreja e ainda dobrasse a área comercial, a pedido do cliente.
A solução foi uma gigantesca estante de livros de três andares, circundada por passarelas e escadas que tomam apenas uma lateral da nave central. A área do altar recebeu um café da grife Coffeelovers e uma enorme mesa de leitura em forma de cruz. Convenhamos, você compraria seus livros em um shopping center se tivesse uma igreja gótica ao seu dispor?
Fotos de mais livrarias e bibliotecas incríveis pelo mundo eu achei aqui e aqui.

Nova Ópera de Oslo por Snøhetta

Wednesday, April 9th, 2008

Inaugura no dia 13 de abril a nova Ópera de Oslo, projeto do escritório norueguês Snøhetta, que fez a fantástica embaixada da Noruega em Berlim. Ainda não liberaram nada de material do projeto e as poucas fotos que estão rolando na internet foram liberadas pela própria administração da Ópera.

O projeto é lindo, obviamente, mas o tão festejado design escandinavo já fez tanta escola que este prédio acaba ‘entrando para o clube’ de uma série que vem pipocando na Europa nesta década.
O exterior silencioso, límpo, quase gélido, criando paisagens minimal-futuristas, domina o horizonte e não permite que a cidade interfira nas perspectivas.

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O interior, ao contrário, é fluido e sinestésico. O uso de materiais aquece e oferece um pouco de matéria orgânica para não ser frio como o lado de fora. As curvas, as texturas e a iluminação criam ritmos sensuais que deslizam de longos percusos para espaços desproporcionalmente grandes, causando aquele estranhamento de que o espaço interno não condiz com o volume externo.




Parece que a arquitetura contemporânea está cansada do pós-modernismo e resolveu criar grandes espetáculos egomaníacos como faziam os modernistas. Como disse antes, mais uma obra magistral. MAIS uma. Talvez seja a hora de procurar outras fórmulas, não?