Tuesday, March 10th, 2009
Quem nunca discutiu sobre o crescimento das cidades, a minha principalmente? Porque em São Paulo não cabe mais ninguém, porque tem trânsito para todo lado, porque ela está inchada e não comporta mais a sua própria população, etc. Todo ano a Vejinha publica aquelas matérias estúpidas sobre ‘como resolver os problemas da grande metrópole’, cheias de politicagem e ZERO urbanismo.
Um assunto que me apareceu outro dia e que me deixou realmente intrigado é exatamente o oposto. Muito se estuda sobre como resolver a cidade que cresce, mas que tipo de urbanismo se deve criar para cidades que estão diminuindo? Soa estranho imaginar algo desse tipo em uma época em que a demanda populacional é sufocante e a oferta de víveres cada vez mais escassa. Mas imagine por exemplo como fica uma New Orleans pós-Katrina, que teve sua população reduzida em 50,6% entre 2000 e 2007.E nem só de grandes catástrofes naturais vivem as shrinking cities. Nesse mesmo período, Detroit teve sua população reduzida em 3,7%, Pittsburgh, 7,5% e Cleveland, 9,2%.
Uma iniciativa muito interessante está tomando corpo estado de Sachen-Anhalt, no nordeste da Alemanha. Desde a queda do muro, a ex-Alemanha Oriental está presenciando um grande êxodo da população jovem, o que envelhece a sociedade, diminui as taxas de natalidade e gera a estagnação da economia. Vinte anos depois, o cenário agora está repleto de edificações abandonadas e grandes vazios urbanos.
O governo do Estado se uniu à Fundação Bauhaus de Dessau (onde nasceu a famosa escola) e a um Programa de Desenvolvimento do Estado para criar em 2002 o plano IBA Urban Redevelopment 2010. A idéia é resolver espacialmente essa questão em 19 cidades da região, com estratégias individuais reforçando as potecialidades de cada município.
Em Dessau mesmo, o plano adotado é o de um ‘arquipelado de ilhas urbanas em um mar de paisagem’. As construções abandonadas foram compradas a preços reduzidos pela prefeitura, demolidas e seus lotes deixados para serem tomados pela vegetação natural. Nada de parques, humanos demais, apenas mata. Lotes de 20×20m podem ser requeridos pela população, que deles passam a tomar conta, mas a intervenção do homem na recomposição da paisagem é mínima.

Halberstadt, um outro caso, é uma cidade que foi bombardeada na Segunda Guerra, e nunca teve seus destroços reparados. Os vazios deixados por tanto tempo agora são encarados não pela perspectiva de mudança de cenário físico, mas de atitude em relação à qualidade do vazio. Discussões públicas associadas a intervenções artísticas levam a população a discutir o espaço e perceber as possibilidades que ele oferece. Em grande parte das ações promovidas, a área gerou grande interresse imobiliário e não raro o espaço foi tomado por grandes construções.

Cada cidade recebeu um slogan para seu plano, e alguns são realmente intrigantes. Köthen, por exemplo, segue o lema ‘Homeopatia como força de desenvolvimento’. StaBfurt é a mais radical: ‘Desistindo do centro histórico / Novo lago urbano como novo centro da cidade’.

Segundo Sonja Beeck, coordenadora do projeto, a meta é entender que os vazios urbanos são devastadores em termos de urbanismo, mas são eles também que oferecem oportunidades para se construir o futuro.
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Monday, August 4th, 2008
Morreu no dia 31 de julho aos 90 anos de idade, em decorrência do Mal de Parkinson, o artista plástico carioca Athos Bulcão. Ele é responsável pela marca registrada da arquitetura brasileira modernista de uso de grandes murais e painéis trabalhando a simbiose desta com as artes plásticas.
Athos cursou medicina até o terceiro ano na década de 30, mas largou o curso para se dedicar exclusivamente à arte. Foi amigo da ‘elite’ modernista brasileira, como Carlos Scliar, Jorge Amado, Pancetti, Burle Marx, Milton Dacosta, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, e Manuel Bandeira. Aos 21 anos, trabalhou como assistente de Cândido Portinari no mural da Igreja de Pampulha. Neste projeto, além de aprender sobre o planejamento sistemático de desenhos e cores, o artista conheceu Oscar Niemeyer, com quem firmaria uma importante parceria em Brasília.




A partir dos anos 50, com a construção da capital, seu trabalho desponta não no mercado das artes tradicional, mas como parte da paisagem urbana. São trabalhos seus os azulejos e vitrais para a Igreja Nossa Senhora de Fátima e do Palácio do Itamaraty, relevos para o Teatro Nacional, em Brasília e para o Memorial da América Latina, em São Paulo e murais na Câmara Legislativa, Congresso Nacional, Palácio da Alvorada e do Planalto, Memorial JK, etc. Nos anos 70, Athos passa a trabalhar ativamente com o arquiteto Lelé, principalmente nos maravilhosos hospitais da rede Sarah Kubitschek. Seus trabalhos ainda podem ser vistos na França, Itália, Argélia, Argentina e Cabo Verde.




Athos não acreditava em inspiração ou na criação gestual, as obras já começavam inteiramente pensadas. Para ele, o artista precisava de talento e muito trabalho. “Arte é cosa mentale“, diz, citando Leonardo da Vinci. Hoje, com a valorização da estamparia e de grafismos geométricos, o trabalho dele não poderia ser mais atual.


Estas e mais fotos podem ser vistas no site da Fundação Athos Bulcão.
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