Posts Tagged ‘le corbusier’
Monday, November 24th, 2008
A mais nova publicação da editora Phaidon a respeito do papa do modernismo Le Corbusier é praticamente uma bíblia. As más línguas andam dizendo que estão vendendo o arquiteto suiço por quilo, devido aos absurdos 9kg desta edição. É um livro grande demais para por na estante, pesado demais para levar para a cama, desajeitado demais para sequer manuseá-lo sem uma sólida superfície de apoio. É um livro de puro fetiche, daqueles que se deixa desbotar ao longo dos anos sobre a mesa de centro, cintilando em posição de destaque na decoração.
Críticos mais rigorosos torceram o nariz pois acharam que o livro deixa a desejar em comparação a outras publicações mais ‘academicamente biográficas’, mas esta vem chamando atenção por revelar detalhes do homem atrás do mito, oferecendo um certo grau de intimidade com o gênio. Sua relação com as mulheres, por exemplo, foi sempre intensa e por vezes desgastante. Sua mãe, por acaso, demorou muito a se convencer da relevância do trabalho do filho para o mundo. Passagens como esta são permeadas por gigantescas imagens de desenhos de nus do arquiteto.

E é no quesito imagens em que o livro se sai mais louvado. A edição nada sutil deslumbra os olhos com 768 páginas cheias de fotos, projetos, gravuras, croquis e todo tipo de arquivo imagético que ilustram o criador endeusado e o homem problemático, em seus 78 anos de vida. E como estamos já quase em dezembro, deixo aqui a dica para quem quiser me fazer um agrado de Natal, ok?
Tags: le corbusier, livro, modernismo, natal, phaidon, presente
Posted in publicação | 4 Comments »
Tuesday, September 30th, 2008
O empreendedor Ian Schrager é conhecido nos EUA por desenvolver novos conceitos de hotelaria com parcerias como Marriott e Gramercy. Agora ele se aventura também em campo residencial, e seu primeiro e notável trabalho conta com nada menos que Herzog & de Meuron, que fazem seu primeiro projeto em Nova Iorque. A combinação só poderia dar um resultado: luxo cool e exclusividade.
O 40 Bond resgata fórmulas antigas do modernismo e cria um conjunto de apartamentos urbano e contemporâneo, extremamente requintado mas despretensioso. As fachadas livres e os terraços jardins de Le Corbusier, as volumetrias em lâminas, as misturas de tipologias, está tudo lá. Mas a releitura da dupla suiça confere um ar de hotel cinco estrelas para o projeto. A própria solução estrutural é uma interpretação dos métodos tradicionais novaiorquinos de usar estruturas metálicas com grelhas de concreto no perímetro, liberando os interiores de pilares e vigas.



Dois formatos residencias se combinam para atender às 28 unidades solicitadas pelo contratante: 5 sobrados ocupam o térreo, aos que se sobrepõe as 23 unidades de apartamentos convencionais, com tamanhos e tipologias variados. Os sobrados têm todos um quintal próprio ao fundo e um jardim na frente, de face com a rua. Para protegê-los, foi criado um enorme e extraordinário portão escultural de alumínio, inspirado em graffitis.



A textura dos portões rege também os acabamentos de todo o interior do edifício. Paredes sinuosas de gesso, balcões e portas de madeira, forros de inox (incríveis!!!) e pisos de banheiros recebem os mesmo traços livres e criam uma linguagem elaborada, leve e muito sofisticada a todas as unidades. Em contraponto, grandes paredes curvas de superfícies lisas e alvas desenham o espaço com silêncio.



Os apartamentos do 40 Bond seguem a linha loft, com grandes espaços abertos iluminados por painéis de vidro generosos. Os espaços podem ser redivididos por painéis corrediços piso-teto que se incorporam ao mobiliário fixo, desenhado inteiramente pelos arquitetos. É surpreendente ver que uma obra tão modernista conceitualmente possa receber um espírito tão contemporâneo e acolhedor.


Interessou? Então corre, porque só tem mais um apartamento à venda.
Tags: 40 bond, escultura, estrutura metálica, exclusividade, fachada livre, graffiti, gramercy, herzog & de meuron, hotel, ian schrager, lâmina, le corbusier, loft, luxo, marriott, nova iorque, portão, residencial, terraço jardim, textura, tipologia
Posted in arquitetura gringa | 3 Comments »
Monday, June 30th, 2008
Le Corbusier, tido como papa da arquitetura moderna, propôs que a construção de casas não fosse algo livre e pessoal como fazer compras de supermercado ou de roupas. Ele sonhava com um mundo onde fábricas cuspissem residências prontas para serem usadas por qualquer ser humano do planeta. Eram as ‘máquinas de morar’, que levavam a extremos os cânones chamados ‘cinco pontos da arquitetura’, que ele tinha como imprescindíveis ao projeto de residências. A partir dali, nada mais era arquitetura, ninguém mais poderia fazê-la.
Prepotências a parte, Le Corbusier é tido como um dos maiores arquitetos do mundo não pelos seus projetos em si, mas porque ele foi o primeiro grande visionário a acreditar que poderia projetar um futuro da civilização. Nos filmes vimos carros voadores, roupas metálicas, comida em cápsulas e robôs substituindo-nos em nossos afazeres. De 2001, uma Odisséia do Espaço a Jetsons, todos nós já tivemos uma fantasia de futuro. Mas a verdade é que o futuro já chegou, e nada daquilo realmente aconteceu.

Ao longo do século XX, vários arquitetos e escritórios vieram com idéias mirabolantes de como viveríamos dali a 20, 30, 100 anos. O Archigram talvez seja o grupo com as idéias mais interessantes, com suas cidades ambulantes nos anos 60, que vagavam atrás de conexões com outras. Verner Panton foi o mais pé-no-chão, trazendo esse imaginário futurista para dentro das casas da mesma época, com muito apuro estético e pouco deslumbre.


Por aqui tivemos um grande idealista, que foi o arquiteto Eduardo Longo. Ele construiu sobre sua casa uma maquete em tamanho quase real do que seria o protótipo da casa industrial ideal: uma casa que saia pronta da fábrica, que poderia ser colocada em qualquer lugar, ainda mais que a de Le Corbusier, pois já vinha moldada com privada, fogão, varal, etc, e se sustentava sobre um único pilar. Nascia a Casa Bola. O protótipo rendeu uma outra casa para os pais do arquiteto no Morumbi, mas esta já se afastava completamente do ideal inicial. Hoje ela paira desconfortavelmente numa localização privilegiada da cidade, com cara de brinquedo de parque de diversões.


O japonês Kisho Kurokawa imaginou outro futuro, em que as pessoas se compartimentariam ao mínimo, e criou a cápsula para morar. Construiu inclusive um prédio inteiro de cápsulas que chegou a ser inteiramente ocupado. Pois nem os espremidos moradores de Tókio se convenceram da idéia e o edifício deve ser demolido este ano para dar lugar a mais uma gigantesca torre de apartamentos não-tão pequenos.

Onde foi parar o futuro? O que podem imaginar os arquitetos como utopias que pelo menos norteiem a produção edificante daqui para frente? Hoje tudo que se projeta suporta-se sobre os pilares da qualidade de vida, da sustentabilidade e da ecologia. Ok, estamos perto do fim do mundo, ninguém pode negar. Mas estamos já tão perto que perdemos a chance de imaginar-nos daqui a 50 anos? Estamos fadados a imaginar apenas uma forma menos agressiva de habitar o mundo pelo tempo que nos resta e tentar reparar minimamente o estrago que 5 mil anos de humanidade causou? Eu ainda tenho esperança de usar roupa metálica e ter um robô-faxineira.
Tags: archigram, capsule tower, casa bola, cinco pontos da arquitetura, eduardo longo, futurismo, kisho kurokawa, le corbusier, maquina de morar, modernidade, modernismo, os jetsons, são paulo, stanley kubrick, sustentabilidade, toquio, urbanismo, utopia, verner panton, villa savoye, walking city
Posted in discutindo | No Comments »