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La Purificadora de Legorreta + Legorreta

Wednesday, July 30th, 2008
Ricardo Legorreta é um dos mais famosos arquitetos mexicanos, e aos 76 anos, ele parece que já está querendo passar toda sua bossa para o filho Victor. Conhecido pelo hábil uso de cores vibrantes (junto com seu conterrâneo Luís Barragán) e por um processo projetual que une metodologia com forte apelo de design, ele agora se une ao filho na busca de projetos carregados de senso histórico.
O último projeto da dupla é o pequeno ‘hotel-boutique‘ na cidade de Puebla, cidade fundada por espanhóis em 1531 e que hoje é parte do patrimônio histórico mundial da UNESCO. O edifício de pedra, que antes era uma estação de tratamento e engarrafamento de água, dá nome ao hotel. Grande parte da arquitetura foi mantida, estabelecendo-se um interessante diálogo entre os métodos construtivos vernaculares e a decoração arrojada e contempoânea.

A entrada foi conservada inclusive pelo grande letreiro orignal. O usuário, então, é levado a uma enorme escadaria em preda vulcânica preta que leva ao novo bloco dos quartos, e ao bar, com uma glamourosa piscina de vista espetacular do centro histórico e da Igreja de São Francisco. As cores são usadas com parcimônia, e só ganham o destaque praticado pelo arquiteto nos muitos sofás e pufes modulares violetas distribuidos por toda a área comum.

Os materiais usados também respeitam a arquitetura histórica, e tende a acabamentos rústicos como madeira de demolição, alvenarias caiadas em branco e pedras brutas da região. A decoração dos quartos faz o contraponto com as pesadas paredes de pedra, valendo-se de divisórias de vidro quase imateriais e leves estruturas de aço que se projetam para fora como sacadas, pontuando a fachada do prédio.

Frank Gehry recebe o Leão de Ouro em Veneza

Thursday, July 3rd, 2008
A comissão julgadora da Bienal de Veneza, uma das mostras de arte de maior prestígio do planeta, concedeu para o arquiteto americano Frank O. Gehry o Leão de Ouro de Arquitetura de 2008. Segundo a comissão, Gehry é ‘o arquiteto vivo que demonstrou mais claramente quão maravilhosa e produtiva pode ser a experimentação’.
Junto com a Zaha Hadid, Frank Gehry é talvez o arquiteto mais famoso do mundo atualmente. Desde a inauguração do aclamado Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, suas formas dinâmicas e serpenteadas, cobertas por escamas metálicas, se espalharam por diversos países, com os mais diferentes usos. É o caso do Walt Disney Concert Hall em Los Angeles, o Experience Music Project em Seattle e o Weisman Art Museum em Mineápolis.

Também ganhou fama por sua pesquisa no campo do design com uso de materiais recicláveis em uma época em que o assunto ainda era distante. Suas poltronas e cadeiras de papelão são facilmente encontrados em lojas do mundo inteiro. São fabricados pela Vitra, dona de grande parte do design assinado mais bacana do mundo, e que teve seu museu projetado pelo próprio Gehry.

Mas mesmo antes do uso de softwares de ponta e revestimentos inovadores como o titânio, Gehry sempre rompeu com a tradição das caixas arquitetônicas, e sempre se dedicou a buscar formas distorcidas, quase animadas, para seus prédio. Alguns criticam a supervalorização dos volumes em sua arquitetura, em detrimento da usabilidade dos espaços internos. Eu acho que a briga entre forma e função já deveria ter sido enterrada no século XX, e hoje a busca projetual deveria focar a poética do espaço. E nesse quesito, Gehry é mestre.

Salão Internacional do Móvel de Milão 2008

Tuesday, April 22nd, 2008

Acabou ontem mais uma edição do famoso Salão Internacional do Móvel de Milão. Quem não tem como fazer um cooper in loco para ver tudo que rolou por lá, acompanha pela net mesmo. E pelo que eu andei vendo por aí, 2008 trouxe poucas surpresas.

A tendência do design segue o curso dos últimos anos, com o manjado mimetismo lúdico que tem feito o design de luxo beirar o pop, para não dizer a chacota. Cadeiras de Marfinite que você compra no supermercado, agora são esculpidas em madeira maciça. Peças de renda delicadíssima são confecionadas em metal ou madeira, com tecnologia de ponta. Aquele capitonê macio da casa da vovô agora é feito em material duríssimo como pinho, mas na verdade é um tecido com estampa de pinho. Muita piada numa peça só. Nessa categoria estão a cadeira de Maarten Baas, a Carved Chair de Marcel Wanders para Moooi, e o banco Touch Wood de Minale-Maeda’s.

Aqui o destaque vai mesmo para as incríveis peças dos designers da Front, transformando todos os móveis e utensílios em sketches. O tapete é um capítulo à parte. Típico design do tipo ‘por que eu não pensei nisso?’, que configura as verdadeiras genialidades.

Em outra esfera, temos as invenções mirabolantes típicas de Professor Pardal, mas que unem a inovação técnica com o desenho mais refinado, deixando o público babando (eu preciso de babador). Essa categoria é a que traz as peças mais interessantes no geral, e a que deixa mais rastros para os anos seguintes. Aqui não posso deixar de destacar o chuveiro/banheira kubrickiano de Ron Arad para a Teuco. Sem comentários. Na onda do aquecimento global, o star designer de luminárias Ingo Maurer se juntou com a Osram e criou a Early Future Lamp, a primeira a usar o LED orgânico, que nada mais é do que um filme luminoso, ou seja, luz em duas dimensões. Imaginem onde vamos parar com isso. E bem mais simples, mas igualmente divertida é a ‘torneira de mesa’ de Arnout Visser para a Droog, que sempre se preocupa com sustentabilidade.

Por último, temos o design meio lírico, meio surrealista. As peças podem não ser uma grande inovação, mas seu impacto visual de um desfile de alta costura. Ninguém usa aquelas roupas, mas sonhamos com elas. Os melhores que encontre aqui são a Ghost Chair, de Ralph Nauta e Loneke Gordijn da Design Drift, e o trabalho da estudante Pernilla Jansson para a exposição de designers-to-be, que desata o nó sufocante que as luzes fluorescentes nos apertam em nossos escritórios e cozinhas.

Resenha feita, nada como o bom design a serviço das nossas pequenas e humildes vidas. Quer ver a melhor peças apresentada esse ano? Ei-la: