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Frank Gehry recebe o Leão de Ouro em Veneza

Thursday, July 3rd, 2008
A comissão julgadora da Bienal de Veneza, uma das mostras de arte de maior prestígio do planeta, concedeu para o arquiteto americano Frank O. Gehry o Leão de Ouro de Arquitetura de 2008. Segundo a comissão, Gehry é ‘o arquiteto vivo que demonstrou mais claramente quão maravilhosa e produtiva pode ser a experimentação’.
Junto com a Zaha Hadid, Frank Gehry é talvez o arquiteto mais famoso do mundo atualmente. Desde a inauguração do aclamado Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, suas formas dinâmicas e serpenteadas, cobertas por escamas metálicas, se espalharam por diversos países, com os mais diferentes usos. É o caso do Walt Disney Concert Hall em Los Angeles, o Experience Music Project em Seattle e o Weisman Art Museum em Mineápolis.

Também ganhou fama por sua pesquisa no campo do design com uso de materiais recicláveis em uma época em que o assunto ainda era distante. Suas poltronas e cadeiras de papelão são facilmente encontrados em lojas do mundo inteiro. São fabricados pela Vitra, dona de grande parte do design assinado mais bacana do mundo, e que teve seu museu projetado pelo próprio Gehry.

Mas mesmo antes do uso de softwares de ponta e revestimentos inovadores como o titânio, Gehry sempre rompeu com a tradição das caixas arquitetônicas, e sempre se dedicou a buscar formas distorcidas, quase animadas, para seus prédio. Alguns criticam a supervalorização dos volumes em sua arquitetura, em detrimento da usabilidade dos espaços internos. Eu acho que a briga entre forma e função já deveria ter sido enterrada no século XX, e hoje a busca projetual deveria focar a poética do espaço. E nesse quesito, Gehry é mestre.

Fundação Iberê Camargo de Álvaro Siza

Wednesday, April 9th, 2008

Parece que agora sai. O projeto feito pelo arquiteto português Álvaro Siza para a Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre, que tinha inauguração prevista para 2002, deve ser concluído em maio. O prédio de quatro andares deverá abrigar mais de 4 mil obras do artista morto em 1994, mais um programa extenso que inclui biblioteca, salas de exposições temporárias, café, auditório e mais. O projeto ganhou o Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza no mesmo ano de 2002.

O prédio às margens do Rio Guaíba é um grande bloco branco misterioso, com poucas e diminutas janelas que parecem posicionadas minuciosamente para admirar paisagens realmente espetaculares. Eu vejo uma mistura da austeridade tão presente no trabalho de Siza com um pouco do brutalismo saído das mãos da ítalo-paulista Lina Bo. Ou talvez o Sesc Pompéia seja uma referência muito próxima e eu não consiga evitar a comparação.

A implantação é um tanto sui generis, em um terreno espremido entre a avenida e um talude, com pouco acesso ao pedestre, resolvido com um sistema complexo de passagens subterrâneas. Com sorte, o projeto terá impacto suficiente para mudar a cara do entorno e trará os gaúchos para a orla do rio. Internamente nada se sabe. Segredo guardado a sete chaves nesse cofre branco.


Com 75 anos, Siza é hoje um dos arquitetos mais renomados em todo o mundo, com mais de 100 obras em 3 continentes e um Pritzker na bagagem, recebido em 1992. A revista Bravo de abril publicou uma pequena entrevista com ele, em que ele mostra toda a serenidade que seus 54 anos de carreira lhe trouxeram. Gosto muito da parte em que ele fala que depois de concluídas ele costuma não voltar às suas obras, pois sabe que ficará frustrado. Só um grande mestre reconhece que mesmo projetos aclamados pela excelência podem e devem sofrer alterações para que não fiquem estanques e acabem datados. Uma aula magna de arquitetura.

Exposição de arte móvel da Chanel

Saturday, March 29th, 2008


Foi inaugurado neste mês, em Hong Kong, o Container de Arte Contemporânea Móvel da Chanel, com projeto da arquiteta iraquiana Zaha Hadid. Lançado na Bienal de Arte de Veneza do ano passado, finalmente o projeto abre suas portas e começa seu tour de 2 anos pela Ásia, Europa e América do Norte.

Partindo da iniciativa do inventivo Karl Lagerfeld, e unindo-se à uma das mais criativas arquitetas atuais e mais de 20 grandes artistas plásticos, o pavilhão é uma grande experiência sensorial e espacial, em busca do estranhamento e a novidade de quem visita um país novo. Partindo da forma espiral constantemente encontrada na natureza, os espaços são fluidos e dinâmicos, e a exposição se desenrola em um fluxo centrípeto, levando a uma área de eventos no centro.

A sensualidade escultural do edifício é conseguida graças a novos softwares de modelagem que oferecem fluidez no processo compositivo, e que têm respaldo das técnicas manufaturadas na hora da construção. As peças têm no máximo 2,5m de largura para facilitar sua desmontagem e transporte.

Zaha foi escolhida exatamente por quebrar com a estética pós-Bauhaus dominante até os dias de hoje de repetição de peças industriais ordenadamente, criando poesia com a arquitetura.