Um H&dM em São Paulo?
Na semana passada, a equipe do escritório de Herzog & de Meuron deixou o Brasil, levando todos os dados e levantamentos necessários para o projeto do Teatro de Ópera e Dança de São Paulo. O projeto deve ser entregue em março, com início das obras previstas para julho, com término no final de 2010. Veremos.
Os arquitetos suiços (que eu já falei muita coisa que fizeram) foram os escolhidos pela Secretaria da Cultura, que tinham como opções nomes de peso como o OMA, Norman Foster e Cesar Pelli. Entretanto, a dupla vai ter que adequar seu projeto a uma série de especificações técnicas da empresa inglesa Theatre Projects Consultants, especialista na construção de teatros. Para nós soa até estranho que um órgão público esteja mais preocupado com a qualidade da construção do que a mídia a que ela vai servir, né?
O teatro vai ocupar o quarteirão em frente à Sala São Paulo, onde antes ficava a rodoviária da cidade, e hoje é ocupado por um pseudo-shopping de gosto duvidoso. Por enquanto, só notícia boa. Um teatro novo, com um projeto fodástico, em área de grande potencial de revitalização, e acabando com a feiúra existente.
Mas nem tudo está correndo com tranqüilidade. Primeiro, pressionado pela opinião pública, o IAB solicitou explicações a respeito da contratação do escritório suiço, alegando que o processo de escolha é nebuloso e que pode ter havido negociações ilegais. Segundo, muito está se discutindo sobre a comissão oferecida aos arquitetos, que varia de 6,5 a 8,5% do valor da obra. Considerando-se que o orçamento para o teatro é de R$300 milhões, tem muita gente achando absurdo eles ganharem pelo menos R$19 milhões por um ’simples projeto’. E terceiro e inevitável, é o bairrismo brasileiro que não se conforma com a não inlcusão de nomes brasileiros entre os concorrentes.
Se a contratação é irregular ou não, já sabemos que nunca vamos descobrir, e vamos contar com o IAB, que sempre foi uma instituição muito responsável, para manter o mínimo de controle sobre o assunto. Agora, é inacreditável que o brasileiro ainda ache que projeto é apenas um desenho e que não precisa pagar por isso. Quando é uma ponte horrorosa que não serve para nada, tudo bem, mas quando é um equipamento de cultura…. Fora isso, Niemeyer pode construir em Paris, Paulo Mendes em Lisboa, e aqui não pode ter estrangeiro trabalhando? Nem preciso dizer o quanto a paisagem chinesa se modificou com a interferência internacional, e nós claramente não estamos dando conta da nossa. Então por que não tentar? Eu estou esperando ansiosamente.
Tags: centro, cesar pelli, governo, herzog & de meuron, iab, norman foster, oma, opera, polêmica, ponte, revitalização, rodoviaria, sala são paulo, são paulo, teatro, theatre projects consultants

December 16th, 2008 at 1:47 pm
Acho ‘ótemo’ influências externas pra mudar um pouco a paisagem de SP, chega daquela abominação de neoclássico! (vem cá, vc que é do ramo, explica aqui pra uma leiga, semi-analfabeta arquitetônicamente falando, queporra significa neoclássico????)
Enfin, bref, o mais divertido disso tudo foi a polêmica no seio da Família Ohtake, um contra, o outro a favor. Se vc acompanhou nos jornais deve ter se divertido com ela tb.
Mas ainda acho que aquele plástico colorido da rodoviária deveria ser reaproveitado. Reciclagem tá na moda e ele combinaria super numa fachada de ……., fill in the blanks, hihihihihi
bjSs
December 16th, 2008 at 9:55 pm
menino, que bafão! e eu não tava sabendo de na-da! eba, eba! mal posso esperar também.
êta povinho esse, viu… é uma porcaria essa mentalidade que relativiza o mérito dos outros.
December 16th, 2008 at 9:55 pm
a propósito… isso aqui tá uma diliça.
December 26th, 2008 at 12:15 pm
É triste mesmo esse bairrismo do brasileiro.
http://mateussz.blogspot.com/2008/11/herzog-e-de-meuron-em-so-paulo.html
http://mateussz.blogspot.com/2008/09/herzog-e-de-meuron-em-nyc.html
February 9th, 2009 at 10:06 am
@Felipe Saur…
Demorei a me posicionar no meio dessa turbulência toda. Entendo perfeitamente os dois lados. Diplomacia sempre faz bem.
Não é protecionismo, preconceito, medo de concorrência. Já vinha questionando Herzog e de Meuron em outros posts.
Que questiono, é o porquê da escolha desses arquitetos? Não seria justo um concurso, como é comum na Europa? Afinal, o dinheiro investido é público.
O que vejo com essa entrada dos “starchitects” é um intercâmbio, é ver o país fazer parte do “cenário arquitetônico mundial”, como já se compartilha com Porto Alegre – o que também me orgulha, e muito. A obra de lá, foi feito com capital privado (com benefícios fiscais, claro). Foram várias etapas até escolher o arquiteto que combinasse com a obra de Iberê.
O que vejo no caso dessas trapalhadas governamentais (como no Rio), cabe perfeitamente uma frase do arquiteto chileno Alejandro Aravena: “A busca pela independência da arte pela arte tem um preço: o preço da irrelevância”.
O que se precisa? Gestores lúcidos e inovadores na hora de suas escolhas. É o caso de Porto Alegre.
February 14th, 2009 at 7:44 pm
Cara,
Quem sois? Não tem nome de autor do blog, ou o burrão aquí não encontrou… e para postar comentários, eu gostaria de saber com quem estou a falaire…
December 7th, 2009 at 3:20 pm
[...] A dupla suíça receberá pelo menos dez vezes mais do que qualquer escritório brasileiro receberia pelo mesmo [...]