A mais nova publicação da editora Phaidon a respeito do papa do modernismo Le Corbusier é praticamente uma bíblia. As más línguas andam dizendo que estão vendendo o arquiteto suiço por quilo, devido aos absurdos 9kg desta edição. É um livro grande demais para por na estante, pesado demais para levar para a cama, desajeitado demais para sequer manuseá-lo sem uma sólida superfície de apoio. É um livro de puro fetiche, daqueles que se deixa desbotar ao longo dos anos sobre a mesa de centro, cintilando em posição de destaque na decoração.
Críticos mais rigorosos torceram o nariz pois acharam que o livro deixa a desejar em comparação a outras publicações mais ‘academicamente biográficas’, mas esta vem chamando atenção por revelar detalhes do homem atrás do mito, oferecendo um certo grau de intimidade com o gênio. Sua relação com as mulheres, por exemplo, foi sempre intensa e por vezes desgastante. Sua mãe, por acaso, demorou muito a se convencer da relevância do trabalho do filho para o mundo. Passagens como esta são permeadas por gigantescas imagens de desenhos de nus do arquiteto.
E é no quesito imagens em que o livro se sai mais louvado. A edição nada sutil deslumbra os olhos com 768 páginas cheias de fotos, projetos, gravuras, croquis e todo tipo de arquivo imagético que ilustram o criador endeusado e o homem problemático, em seus 78 anos de vida. E como estamos já quase em dezembro, deixo aqui a dica para quem quiser me fazer um agrado de Natal, ok?
Steven Holl nunca dormiu no ponto. Há uns cinco anos, quando começaram as movimentações para as obras das Olimpíadas de Pequim, ele foi lá negociar alguns projetinhos entre um chop-suey e outro. Hoje ele deve ser o arquiteto com mais projetos de grande porte recém-inaugurados ou ainda em construção (só desses são 3).
Aproveitando-se do capitalismo desvairado em explosão no país, Holl conseguiu emplacar seus projetos mais ousados na terra que mais busca a ‘novidade pela novidade’ em todas as áreas hoje em dia. Claro que desse desvario arquitetônico vão aparecer grandes desastres urbanísticos, mas nós talvez ainda vamos demorar para saber. Mas uma obra específica, do velho-de-guerra Holl, talvez seja a concretização de muitos sonhos de estudantes de arquitetura às turras com seus projetos de conclusão de curso.
O Linked Hybrid, como foi intitulado, é um gigantesco conjunto de 8 edifícios de usos variados que tinha a premissa de criar novas realidades de conexão entre espaços públicos e privados. A solução do americano foi conectar todos os edifícios no 21º e 22º andares através de grandes pontes que abrigam mais do que circulação – Esse novo layer da cidade receberá restaurantes, galerias e muitos outros serviços, completamente abertos ao público.
A praça central formada entre os prédios terá um lago e um complexo de cinemas se encarregará de trazer o público para dentro. O sistema de ventilação dos prédios conta com 660 poços de ventilação que se enterram 100m dentro do solo, buscando o resfriamento perto de lençóis freáticos profundos. Holl ainda toca na China as obras do complexo de Vanke Center em Shenzhen e o Museu de Arte e Arquitetura de Nanjing.
contra o neo-classicismo
contra os muros e grades,
contra o mercado imobiliário,
contra os carros blindados,
contra o puxadinho e o barraco,
contra o carpete de madeira,
contra janelas mínimas,
contra trânsito e corredores de ônibus,
contra o porcelanato na sala,
contra o (não)urbanismo caótico,
contra maisons, palazzos e residentials,
contra o condomínio,
contra o subúrbio e a periferia,
contra o mau-gosto e a burrice,
contra a falta de cultura,
por uma boa arquitetura