Archive for July, 2008

La Purificadora de Legorreta + Legorreta

Wednesday, July 30th, 2008
Ricardo Legorreta é um dos mais famosos arquitetos mexicanos, e aos 76 anos, ele parece que já está querendo passar toda sua bossa para o filho Victor. Conhecido pelo hábil uso de cores vibrantes (junto com seu conterrâneo Luís Barragán) e por um processo projetual que une metodologia com forte apelo de design, ele agora se une ao filho na busca de projetos carregados de senso histórico.
O último projeto da dupla é o pequeno ‘hotel-boutique‘ na cidade de Puebla, cidade fundada por espanhóis em 1531 e que hoje é parte do patrimônio histórico mundial da UNESCO. O edifício de pedra, que antes era uma estação de tratamento e engarrafamento de água, dá nome ao hotel. Grande parte da arquitetura foi mantida, estabelecendo-se um interessante diálogo entre os métodos construtivos vernaculares e a decoração arrojada e contempoânea.

A entrada foi conservada inclusive pelo grande letreiro orignal. O usuário, então, é levado a uma enorme escadaria em preda vulcânica preta que leva ao novo bloco dos quartos, e ao bar, com uma glamourosa piscina de vista espetacular do centro histórico e da Igreja de São Francisco. As cores são usadas com parcimônia, e só ganham o destaque praticado pelo arquiteto nos muitos sofás e pufes modulares violetas distribuidos por toda a área comum.

Os materiais usados também respeitam a arquitetura histórica, e tende a acabamentos rústicos como madeira de demolição, alvenarias caiadas em branco e pedras brutas da região. A decoração dos quartos faz o contraponto com as pesadas paredes de pedra, valendo-se de divisórias de vidro quase imateriais e leves estruturas de aço que se projetam para fora como sacadas, pontuando a fachada do prédio.

SGAE em Santiago de Compostela, de Ensamble Studio

Friday, July 25th, 2008
Em 1995, uma família de banqueiros doou um parque para a sociedade espanhola, e a partir de um masterplan de Arata Isozaki & Associates, a área está se tornando um grande polo de cultura da cidade de Santiago de Compostela. Depois do centro de estudos internacionais e da escola de música da Universidade de Santiago de Compostela, acaba de tomar forma o inspirado projeto da SGAE (Sociedad General de Autores y Editores), que cuida da propriedade intelectual de diretores, roteiristas, escritores, compositores e coreógrafos do país.
O projeto do Ensamble Studio, posiciona a sede da SGAE de forma que sua frente olhe para o Parque Vista Alegre, e suas costas abracem a curva de uma movimentada avenida. A longa fachada principal é formada por uma escultura de blocos e restos de granito cortado na região, e dispostos despretensiosamente, de modo que o próprio peso das pedras forma estrutura, fechamento e textura. Alguns cabos de aço oferecem segurança ao conjunto, mas o arquiteto Antón García-Abril insiste que a estabilidade é fruto meramente da força da gravidade.
A escultura é um dos lados de um enorme corredor, fechado em seu outro lado por uma fascinante muralha de caixas plásticas de CDs e DVDs, em uma ‘ode à era digital’. Esta parede é iluminada à noite por trás com LEDs que variam de cor infinitamente. Vista do parque, a fachada multicolorida faz referência aos vitrais das catedrais góticas, emoldurados pelo peso do granito. Em um centro de peregrinação tão importante no mundo, a metáfora é forte.

O interior do prédio não deixa de ser surpreendente, em destaque para o uso dos materiais. O programa é divido em quatro blocos, que conversam através de elementos arquitetônicos intrigantes. A ‘administração’ é fechada por paredes de vidro translúcido, oferecendo uma iluminação branca suave e uniforme e a noite fica suscetível aos intercâmbios cromáticos do corredor de entrada. O andar de se divide em ‘educacional’ e ‘difusão cultural’ tem paredes onduladas, concretadas entre toras de pinus e eucaliptos alinhadas e depois retiradas. A iluminação marcada oferece um tom ainda mais dramático ao espaço. Essas mesma toras cobrem as paredes dos laboratórios de informática da área ‘pública’.

A descoberta do projeto se faz ainda mais instigante pelo contraste formado com a fachada posterior, voltada para a cidade, que mistura sobriamente o vidro laminado com tradicionais painéis de pedra e chapas de aço.

PS: Infelizmente achei pouquíssimas fotos o projeto pronto. As poucas boas que achei foram aqui, aqui e aqui. Se eu achar mais eu publico e aviso.

MVRDV, a Holanda de vanguarda

Wednesday, July 23rd, 2008
A arquitetura holandesa do século XIX briga por centímetros de nariz com a espanhola pelo pódio, mas elas concorrem com trunfos diferentes. Enquanto a ibérica se esmera em plásticas poéticas e grandiloqüência lúdica, os Países Baixos apresentam as soluções mais inovadoras em questões teóricas, urbanísticas e antropológicas. Talvez a condição territorial tenha forçado o estudo precoce de projeto sobre uma natureza fabricada, e só agora o resto do mundo entenda o que é habitar um mundo em colapso.
O escritório MVRDV, sediado em Rotterdam e formado pelos arquitetos Winy Maas, Jacob van Rijs e Nathalie de Vries, é um dos mais expressivos e prováveis grandes sucessores do incansável Rem Koolhaas, um dos maiores críticos do urbanismo pós-moderno. Não à toa, os dois sócios colaboraram com Koolhaas nos anos 80 no OMA (Office for Metropolitan Architecture), enquanto Nathalie trabalhou no escritório Mecanoo.
Com uma arquitetura singular, analítica e metodológica, busca uma posição fora do campo da arquitetura, intervindo socialmente e ecologicamente no meio. A estética resultante, sejamos sinceros, é complexa e muitas vezes polêmica. Mas a provocação visual intrínseca às suas teorias são sempre fortes armas de posicionamento frente às discussões por elas geradas.
Formado em 1991, o trio ganhou notoriedade pelo projeto do pavilhão holandês na Expo 2000 em Hannover. Uma torre de paisagens empilhadas (campos de tulipas, dunas, florestas, um lago e moinhos de vento no topo) discutia a auto-suficiência de recursos naturais em áreas compactas e populosas, bem antes das recorrentes manchetes alarmistas de aquecimento global.
A obra deles ganhou notoriedade e se espalhou pelo mundo. Projetos como os vertiginosos apartamentos do asilo WoZoCo em Amsterdam, intrigam e instigam o observador a conhecer de perto. Os edifícios residenciais Mirador, em Madrid e Silodam, também em Amsterdam, propõem novas tipologias de adensamento. O projeto de casas em uma encosta em Liuzhou, na China, coloca a habitação como forma de conter a erosão do solo (favelas ecológicas?). E o corrente anexo do Cleveland Institute of Art serpenteia-se ironicamente sobre o edifício original careta.

Cidade do medo

Monday, July 21st, 2008
Panóptico @ Frei Caneca - http://flickr.com/photos/16476010@N06/2185945542Ontem arrombaram meu carro. Estacionei em frente a um shopping-center movimentado por 10 minutos necessários para se comprar um ingresso de cinema e voltei a tempo de ver 4 adolescentes fechando as portas e indo embora. Não levaram nada, porque nada havia para se roubar.
Hoje recebo a revista Trip de julho (#168), e o tema da edição é MEDO. Curioso foi perceber que uma boa parte da revista trata de arquitetura e urbanismo, pois curiosamente estas são as áreas onde o medo mais fica latente. ‘As cidades contemporâneas, instaladas sob o signo do medo, são imensas massas construídas com quase nenhuma arquitetura. Gradeamos praças, nos isolamos em muros altíssimos em nossas casas e trancamos nosso olhar em janelas que não se abrem ao vento.’ escreve Ciro Pirondi, diretor da Escola da Cidade.
Moro em um prédio dos anos 50, e o primeiro comentário de 100% das minhas visitas é sobre as enormes janelas que trazem a cidade para dentro da minha sala. Muitas delas não percebem que o choque ao ver minha fachada quase corbusiana acontece exatamente porque elas se acostumaram a viver em bunkers mal-iluminados, com aberturas mínimas obrigatórias pelo Código de Obras. Elas não entendem que gostam de jantar no Spot, não porque a comida é boa, mas porque o restaurante se abre para um gigantesco espaço vazio em plena Avenida Paulista.
O pintor trabalha a imagem, o escultor trabalha o volume. O arquiteto tem como matéria-prima o vazio. É no vazio que entram os raios de sol, a brisa da manhã, o barulho dos pássaros. Nos bunkers que mercado imobiliário chama de condomínios só entra a alienação, a segregação e a asfixia. As pessoas saem blindadas de suas casas diretamente para outras garagens. Seu contato com a cidade é protegido pelo insulfim. A vida é um grande estacionamento.
A negação do espaço público não é exclusividade dos bem-nascidos. As periferias há muito deixaram de ter a cara de ‘cidade do interior’ e também aderiram aos muros com lanças no topo, grades e arame farpado. A rua é terra de ninguém. A arquitetura hoje usa elementos medievais de proteção: muralhas, fossos, torres de vigia e trincheiras.
Em 1961, Jane Jacobs escreveu o tratado ‘Morte e Vida nas Grandes Cidades‘. Hoje o livro é tido como ultrapassado, mas é surpreendente perceber que há 40 anos já se delineava uma situação que hoje passou do controle. Ela pregava a zeladoria da própria sociedade como a forma mais eficaz de manutenção da segurança e da democracia nas ruas. Em tempos de individualismo patológico, o carro é arrombado no meio de dezenas de pessoas e nenhuma delas esboça reação.
Na carta de Ricardo Guimarães, presidente da Thymus Branding, que encerra a edição da revista, levanta-se a questão de que uma empresa pode desmoronar mesmo se todas as áreas são totalmente eficientes, mas existe problemas entre as áreas. A cidade não é um mero aglomerado de lotes, e sim a malha pública que une a todos eles. Na hora em que nos encarceiramos em nossos próprios umbigos, a rua vira zona de guerra: o mais forte leva, e nós a estamos perdendo.
Ricardo sugere que ‘baixemos os muros até o ponto que dê para ver a rua e o vizinho. Assim, um cuida do outro e todos do que é comum. Quem sabe, com muros mais baixos, a gente veja o ladrão antes de ele invadir nossa casa ou até mesmo antes de ele ter alguma razão para virar ladrão.’ Talvez um pouco da mesquinhez com a vida alheia que vemos em Wisteria Lane seja saudável. Jane Jacobs nunca esteve tão certa.

Novo Museu da Acrópole em Atenas, de Bernard Tschumi

Tuesday, July 15th, 2008
O arquiteto Bernard Tschumi é mais conhecido pelos seus livros e seus ensaios sobre arquitetura do que por seus projetos em si. O mais expressivo deles até hoje talvez seja Parc de La Villette, a nordeste de Paris, com seu mosaico de cubos vermelho-sangue espalhados pelo verde. Agora ele volta a figurar a mídia especializada por um projeto um tanto controverso, não formalmente, mas em sua essência: o Novo Museu da Acrópole, em Atenas.
O museu em si é parte de uma grande briga diplomática entre Grécia e Inglaterra, já que grande parte do seu acervo é formado pelos Mármores de Elgin, ornamentos do Parthenon original, metade dos quais em exposição até pouco tempo no British Museum. Além disso, o museu foi construído a cerca de 300 metros da própria Acrópole, em um importantíssimo sítio arqueológico. Por último, o museu se conecta com uma as mais aclamadas e influentes obras da humanidade.

O grande volume de vidro resultante olha diretamente para a Acrópole, permitindo a vista do Parthenon pelos visitantes do museu. O uso de pilotis é justificado pela mínima interferência no terreno, liberando as áreas de escavações ainda ativas e visíveis sob o chão de vidro do museu. As galerias internas são dispostas de forma que os objetos sejam expostos em ordem, formando uma grande história, e não de forma aleatória como estavam no museu inglês.

Tschumi define o museu como um ‘anti-Bilbao’ por se tratar de um projeto contextualizado em seu sítio, nascido de uma coleção de arte, e não de seu container. Conta que fez uso de apenas três matérias – vidro, aço e mármore – com objetivo de expressar pureza e simplicidade, e evidenciar a matemática rígida aplicada ao desenho, como faziam os gregos de então.

Mais fotos incríveis eu encontrei neste flickr.

Ponzano Children, de Alberto Campo Baeza

Wednesday, July 9th, 2008
Massimo Benetton, dono da famosa marca italiana, pediu para o espanhol Alberto Campo Baeza, um dos maiores mestres do minimalismo atual, para projetar uma creche para 100 crianças que ficaria logo atrás do QG da marca em Ponzano. O terreno era um gramado perfeito de 9500m2 totalmente plano, as possibilidades eram infinitas.
O resultado é um projeto não só muito inspirado, como inspirador. Absolutamente geométrico, o prédio se divide em três volumes centralizados que abrigam diferentes atividades, com uso lúdico dos espaços. No meio, uma pequena torre quadrada com 21 janelas redondas, distribuidas como um grande dado, abriga o hall que distribui os usos. O arquiteto explica que tentou, com as janelas, ‘dominar a luz sólida’, criando uma dança com os raios de sol ao longo do dia.
Ao seu redor está um volume mais baixo, também quadrado, onde ficam todos os usos administrativos, salas de aula, banheiros, cantina, berçario, etc. Esse volume se abre para quatro pátios semi-cobertos, cada um com um piso diferente: grama, pedra, madeira e areia. Os pátios são cobertos por um céu azul puro, sem qualquer interferência do entorno.
Cincundando tudo e criando um forte contraste geométrico, um muro redondo de cerca de dois metros de espessura reserva diferentes surpresas para as crianças. Um série de portas levam a pequenas salas dentro do muro, cada uma com uma brincadeira ou atividade diferente. O projeto foi todo concebido com o acompanhamento da Reggio Children, uma instituição pedagógica internacional que trabalha com a proteção e a promoção dos direitos e potenciais infantis.

Programa na Casa Bola

Monday, July 7th, 2008
Andei falando sobre os protótipos de casa que surgiram no século XX com uma onda futurista, de gente que queria salvar o mundo com a arquitetura, e lá citei a Casa Bola, do Eduardo Longo.
Eu estive na casa para entrevistar o Eduardo quando eu estava ainda na faculdade, então posso dizer que ela não está tão conservadinha quanto parece, não é tão aconchegante e espaçosa quanto pintam, e ele não mora (e acho que nunca morou) lá. Mas a experiência de visitá-la é realmente fascinante, e sim, eu desci no escorregador. Então, para quem quiser dar uma olhada no interior dela, tem esse video de uma TV inglesa no Youtube.

Mais sobre Frank Gehry

Monday, July 7th, 2008
Falando em Frank Gehry, ele foi escolhido neste ano para projetar o Serpentine Gallery Pavillion em Londres, e a inauguração é no dia 20 de julho. A galeria é especializada em arte moderna e contemporânea, e desde 2000 ela convida um grande nome da arquitetura por ano para construir um pavilhão temporário de verão em pleno Hyde Park. Já tiveram essa honra Rem Koolhaas, Zaha Hadid (claro!), Álvaro Siza, Toyo Ito, Daniel Liebeskind e até Oscar Niemeyer em 2003.
Gehry também está no comando do campus da New World Symphony Orchestra em Miami Beach. Trata-se de um edifício de 200 milhões de dólares, que deve estar pronto apenas em 2010. Além de uma sala de espetáculo para 700 pessoas, o complexo ainda comporta seis salas de ensaio comum e vinte e seis individuais e uma biblioteca.
Mas nem tudo anda um mar de rosas para o arquiteto. O MIT entrou com uma ação contra ele pela obra do Stata Center em Cambridge (EUA), pela qual pagou apenas 15 milhões de dólares só de projeto. Inaugurado em 2004, o edifício já apresenta muitas infiltrações que causaram rachaduras e mofo. A instituição alega que Gehry ‘violou sua obrigação profissional apresentando desenhos deficientes’.
Para piorar, o shopping-center Santa Monica Place, que ele construiu em 1980, e que já passou por duas reformas, fechou em janeiro deste ano. Em breve será demolido para e receberá um novo projeto de outro escritório. Mesmo assim, Gehry parece não perder a esportiva. Segundo a revista alemã AIT, ele costuma se exercitar usando uma camiseta com os dizeres: ‘fuck frank gehry’.

Frank Gehry recebe o Leão de Ouro em Veneza

Thursday, July 3rd, 2008
A comissão julgadora da Bienal de Veneza, uma das mostras de arte de maior prestígio do planeta, concedeu para o arquiteto americano Frank O. Gehry o Leão de Ouro de Arquitetura de 2008. Segundo a comissão, Gehry é ‘o arquiteto vivo que demonstrou mais claramente quão maravilhosa e produtiva pode ser a experimentação’.
Junto com a Zaha Hadid, Frank Gehry é talvez o arquiteto mais famoso do mundo atualmente. Desde a inauguração do aclamado Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, suas formas dinâmicas e serpenteadas, cobertas por escamas metálicas, se espalharam por diversos países, com os mais diferentes usos. É o caso do Walt Disney Concert Hall em Los Angeles, o Experience Music Project em Seattle e o Weisman Art Museum em Mineápolis.

Também ganhou fama por sua pesquisa no campo do design com uso de materiais recicláveis em uma época em que o assunto ainda era distante. Suas poltronas e cadeiras de papelão são facilmente encontrados em lojas do mundo inteiro. São fabricados pela Vitra, dona de grande parte do design assinado mais bacana do mundo, e que teve seu museu projetado pelo próprio Gehry.

Mas mesmo antes do uso de softwares de ponta e revestimentos inovadores como o titânio, Gehry sempre rompeu com a tradição das caixas arquitetônicas, e sempre se dedicou a buscar formas distorcidas, quase animadas, para seus prédio. Alguns criticam a supervalorização dos volumes em sua arquitetura, em detrimento da usabilidade dos espaços internos. Eu acho que a briga entre forma e função já deveria ter sido enterrada no século XX, e hoje a busca projetual deveria focar a poética do espaço. E nesse quesito, Gehry é mestre.

As novas máquinas de morar

Tuesday, July 1st, 2008
Ainda tratando das máquinas de morar, parece que o assunto nunca esteve tão em voga. Na Europa (sempre ela!), não param de pipocar projetos de casas completas que você pode comprar com teu cartão de crédito e levar para onde quiser. Esta parece ser a resposta mais adequada para enfrentar tempos de crise de energia, falta de espaço nas cidades e destruição da natureza.
Um dos primeiros a aparecer é o LoftCube, do arquiteto alemão Werner Aisslinger. Este é também o mais atraente. Ele parte da premissa de que as grandes cidades já estão completamente ocupadas em seu nível térreo, então que a solução seria ocupar os topos de seus prédios. Essas caixas de vidro são inteiramente montáveis in loco, são relativamente leves e as lajes dos prédios se tornariam lindos quintais com vistas fabulosas. Com certeza não resolveria a questão da habitação no Brasil, mas eu acho bem divertido. Muito melhor que muita porcaria que nos oferecem diariamente em planfletos de farol.

Em 2003, a arquiteta portuguesa Fátima Fernandes e o italiano Michele Cannatá desenvolveram os Módulos Auto-Suficientes. São moradas independentes em termos de energia, água e mecânica por até três semanas. Com 27m2 cada um, os módulos podem também ser colocados em qualquer local e ainda podem se acoplados a outros para originar residências maiores. Claro que o espaço reduzido pede uma flexibilidade simplista da decoração (sofá que vira cama, cozinha que vira bar), mas a cobertura em painéis de absorção de energia solar permite que a casa tenha as instalações elétricas totalmente auto-suficientes para sempre.

Um grupo de professores da Universidade Técnica de Munique foi além e criou o que podemos chamar de uma ‘barraca de morar’, tipo acampamento mesmo. Com exíguos 10m2, pé direito de apenas 1,98m, essa casa supercompartimentada tem duas camas retráteis, mesa deslizante para cinco pessoas, banheiro totalmente equipado, TV de plasma, cozinha completa e energizada, sistema de esgoto, calefação, ar condicionado, aquecimento de água e alarme de incêndio, tudo com energia solar, claro. A estrutura é de madeira de lei, com fechamentos em placas de alumínio tratado isolado com poliuretano. Ela está a venda na internet e custa de 25 a 34 mil euros, e é entregue em sua casa em até 10 semanas. E como uma boa barraca de acampamento, se você cansou, põe na caçamba do carro e simbora!