Archive for April, 2008

Salão Internacional do Móvel de Milão 2008

Tuesday, April 22nd, 2008

Acabou ontem mais uma edição do famoso Salão Internacional do Móvel de Milão. Quem não tem como fazer um cooper in loco para ver tudo que rolou por lá, acompanha pela net mesmo. E pelo que eu andei vendo por aí, 2008 trouxe poucas surpresas.

A tendência do design segue o curso dos últimos anos, com o manjado mimetismo lúdico que tem feito o design de luxo beirar o pop, para não dizer a chacota. Cadeiras de Marfinite que você compra no supermercado, agora são esculpidas em madeira maciça. Peças de renda delicadíssima são confecionadas em metal ou madeira, com tecnologia de ponta. Aquele capitonê macio da casa da vovô agora é feito em material duríssimo como pinho, mas na verdade é um tecido com estampa de pinho. Muita piada numa peça só. Nessa categoria estão a cadeira de Maarten Baas, a Carved Chair de Marcel Wanders para Moooi, e o banco Touch Wood de Minale-Maeda’s.

Aqui o destaque vai mesmo para as incríveis peças dos designers da Front, transformando todos os móveis e utensílios em sketches. O tapete é um capítulo à parte. Típico design do tipo ‘por que eu não pensei nisso?’, que configura as verdadeiras genialidades.

Em outra esfera, temos as invenções mirabolantes típicas de Professor Pardal, mas que unem a inovação técnica com o desenho mais refinado, deixando o público babando (eu preciso de babador). Essa categoria é a que traz as peças mais interessantes no geral, e a que deixa mais rastros para os anos seguintes. Aqui não posso deixar de destacar o chuveiro/banheira kubrickiano de Ron Arad para a Teuco. Sem comentários. Na onda do aquecimento global, o star designer de luminárias Ingo Maurer se juntou com a Osram e criou a Early Future Lamp, a primeira a usar o LED orgânico, que nada mais é do que um filme luminoso, ou seja, luz em duas dimensões. Imaginem onde vamos parar com isso. E bem mais simples, mas igualmente divertida é a ‘torneira de mesa’ de Arnout Visser para a Droog, que sempre se preocupa com sustentabilidade.

Por último, temos o design meio lírico, meio surrealista. As peças podem não ser uma grande inovação, mas seu impacto visual de um desfile de alta costura. Ninguém usa aquelas roupas, mas sonhamos com elas. Os melhores que encontre aqui são a Ghost Chair, de Ralph Nauta e Loneke Gordijn da Design Drift, e o trabalho da estudante Pernilla Jansson para a exposição de designers-to-be, que desata o nó sufocante que as luzes fluorescentes nos apertam em nossos escritórios e cozinhas.

Resenha feita, nada como o bom design a serviço das nossas pequenas e humildes vidas. Quer ver a melhor peças apresentada esse ano? Ei-la:

O ‘Ninho’, de Herzog & de Meuron

Wednesday, April 16th, 2008

Isso aqui está ficando repetitivo: mais uma inauguração de mais um prédio incrível de grandes arquitetos vencedores de um prêmio Pritzker (2001). Mas dessa vez com comoção mundial.

Neste final-de-semana, uma competição de atletismo abre oficialmente o estádio-símbolo das Olimpíadas de Pequim, conhecido como ‘Ninho’. Previsto para dezembro de 2007, o estádio chega com um pouco de atraso, mas ainda dentro do prazo, e surpreende pela mistura de fachada com estrutura com cobertura com tudo mais que se tem direito. A princípio ele seria coberto, mas parece que vai ficar aberto mesmo. Quem souber o motivo pode me escrever.

Mas para não ficar só nessa eterna redundância, digo que só postei esse projeto, que logo todos verão séries e mais séries de reportagens a respeito, para chamar a atenção dessa dupla: Herzog & de Meuron. Cada vez mais eles se especializam em projetos megalomaníacos bem sucedidos, alcançando o território em que Rem Koolhas foi conceitual demais, e Frank Gehry, egocêntrico demais.

Eles são responsáveis por outro estádio famoso, a Allianz Arena em Munique, feito para a Copa de 2006, junto com a empreiteira Arup, repetindo a parceria na China. O mesmo trabalho de volumetrias geométricas simples e texturas inovadoras também pode ser visto no fórum de Barcelona, na loja da Prada em Tóquio, e no meu favorito, o deslumbrante Tate Modern, em Londres.


Vale a pesquisa e o passeio na sua próxima viagem. Infelizmente, mais uma vez não achei a homepage dos suiços, então bom Google a todos.

Fundação Iberê Camargo de Álvaro Siza

Wednesday, April 9th, 2008

Parece que agora sai. O projeto feito pelo arquiteto português Álvaro Siza para a Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre, que tinha inauguração prevista para 2002, deve ser concluído em maio. O prédio de quatro andares deverá abrigar mais de 4 mil obras do artista morto em 1994, mais um programa extenso que inclui biblioteca, salas de exposições temporárias, café, auditório e mais. O projeto ganhou o Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza no mesmo ano de 2002.

O prédio às margens do Rio Guaíba é um grande bloco branco misterioso, com poucas e diminutas janelas que parecem posicionadas minuciosamente para admirar paisagens realmente espetaculares. Eu vejo uma mistura da austeridade tão presente no trabalho de Siza com um pouco do brutalismo saído das mãos da ítalo-paulista Lina Bo. Ou talvez o Sesc Pompéia seja uma referência muito próxima e eu não consiga evitar a comparação.

A implantação é um tanto sui generis, em um terreno espremido entre a avenida e um talude, com pouco acesso ao pedestre, resolvido com um sistema complexo de passagens subterrâneas. Com sorte, o projeto terá impacto suficiente para mudar a cara do entorno e trará os gaúchos para a orla do rio. Internamente nada se sabe. Segredo guardado a sete chaves nesse cofre branco.


Com 75 anos, Siza é hoje um dos arquitetos mais renomados em todo o mundo, com mais de 100 obras em 3 continentes e um Pritzker na bagagem, recebido em 1992. A revista Bravo de abril publicou uma pequena entrevista com ele, em que ele mostra toda a serenidade que seus 54 anos de carreira lhe trouxeram. Gosto muito da parte em que ele fala que depois de concluídas ele costuma não voltar às suas obras, pois sabe que ficará frustrado. Só um grande mestre reconhece que mesmo projetos aclamados pela excelência podem e devem sofrer alterações para que não fiquem estanques e acabem datados. Uma aula magna de arquitetura.

Mais fotos da Ópera de Olso

Wednesday, April 9th, 2008

Link da matéria com mais fotos da Ópera, e um pouco do conceito do escritório que fez o projeto: aqui.

Nova Ópera de Oslo por Snøhetta

Wednesday, April 9th, 2008

Inaugura no dia 13 de abril a nova Ópera de Oslo, projeto do escritório norueguês Snøhetta, que fez a fantástica embaixada da Noruega em Berlim. Ainda não liberaram nada de material do projeto e as poucas fotos que estão rolando na internet foram liberadas pela própria administração da Ópera.

O projeto é lindo, obviamente, mas o tão festejado design escandinavo já fez tanta escola que este prédio acaba ‘entrando para o clube’ de uma série que vem pipocando na Europa nesta década.
O exterior silencioso, límpo, quase gélido, criando paisagens minimal-futuristas, domina o horizonte e não permite que a cidade interfira nas perspectivas.

.


O interior, ao contrário, é fluido e sinestésico. O uso de materiais aquece e oferece um pouco de matéria orgânica para não ser frio como o lado de fora. As curvas, as texturas e a iluminação criam ritmos sensuais que deslizam de longos percusos para espaços desproporcionalmente grandes, causando aquele estranhamento de que o espaço interno não condiz com o volume externo.




Parece que a arquitetura contemporânea está cansada do pós-modernismo e resolveu criar grandes espetáculos egomaníacos como faziam os modernistas. Como disse antes, mais uma obra magistral. MAIS uma. Talvez seja a hora de procurar outras fórmulas, não?

Jean Nouvel recebe o Prêmio Pritzker

Tuesday, April 1st, 2008

O Prêmio Pritzker, o ‘Nobel’ da arquitetura, foi dado neste domingo para o arquiteto francês Jean Nouvel. Com 62 anos e uma carreira de fazer inveja a qualquer Niemeyer pela vasta abrangência de temas e locais, ele é hoje talvez um dos maiores ‘Starquitetos’ atuantes.

Seu primeiro grande projeto foi o Instituto do Mundo Árabe em Paris em 1987, com sua fachada tomada por muxarabis tecnológicos que controlam a entrada de luz natural no espaço interno. Desde então, o arquiteto foi chamado para toda sorte de projetos, como a Fundação Cartier, a Ópera de Lyon, o Centro Cultural de Lucerna, arranha-céus de Nova Iorque a Doha, e mais recentemente a primeira e inusitada filial do Museu do Louvre em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.



É ele também o arquiteto chamado para projetar a filial do Guggenheim em plena Baía de Guanabara, projeto que naufragou graças a um governo preguiçoso e aculturado e ambientalistas histéricos.

Apenas mais um arquiteto francês já tinha recebido o prêmio: Christian de Portzamparc, em 1994. Entre os jurados deste ano, estavam dois mestres também vencedores, o italiano Renzo Piano e o japonês Tadao Ando. Entre os brasileiros, temos também apenas dois: Niemeyer em 1988, e Paulo Mendes da Rocha, em 2006.