Archive for the ‘portfolio’ Category

Morreu Jorn Utzon, aos 90 anos

Monday, December 8th, 2008
Nota rápida para lembrar a morte do arquiteto dinamarquês Jorn Utzon, aos 90, no último dia 29 de novembro. Apesar de não ter uma obra muito divulgada, ele foi vencedor do prêmio Pritzker em 2003, e deve grande parte de sua fama ao símbolo máximo de Sydney, a Ópera.
O concurso foi vencido em 1957, mas em 1966 os recorrentes atrasos e problemas de orçamento causaram o rompimento do arquiteto com o governo australiano, fazendo com que ele prometesse nunca mais colocar os pés no país. Como resultado, a obra foi concluída por uma equipe de arquitetos que acabaram por modificar o projeto original. Há apenas alguns anos, Utzon foi finalmente convencido a retomar o projeto e liderar uma série de reformas, inclusive para adequar problemas acústicos do edifício existente.

MVRDV, a Holanda de vanguarda

Wednesday, July 23rd, 2008
A arquitetura holandesa do século XIX briga por centímetros de nariz com a espanhola pelo pódio, mas elas concorrem com trunfos diferentes. Enquanto a ibérica se esmera em plásticas poéticas e grandiloqüência lúdica, os Países Baixos apresentam as soluções mais inovadoras em questões teóricas, urbanísticas e antropológicas. Talvez a condição territorial tenha forçado o estudo precoce de projeto sobre uma natureza fabricada, e só agora o resto do mundo entenda o que é habitar um mundo em colapso.
O escritório MVRDV, sediado em Rotterdam e formado pelos arquitetos Winy Maas, Jacob van Rijs e Nathalie de Vries, é um dos mais expressivos e prováveis grandes sucessores do incansável Rem Koolhaas, um dos maiores críticos do urbanismo pós-moderno. Não à toa, os dois sócios colaboraram com Koolhaas nos anos 80 no OMA (Office for Metropolitan Architecture), enquanto Nathalie trabalhou no escritório Mecanoo.
Com uma arquitetura singular, analítica e metodológica, busca uma posição fora do campo da arquitetura, intervindo socialmente e ecologicamente no meio. A estética resultante, sejamos sinceros, é complexa e muitas vezes polêmica. Mas a provocação visual intrínseca às suas teorias são sempre fortes armas de posicionamento frente às discussões por elas geradas.
Formado em 1991, o trio ganhou notoriedade pelo projeto do pavilhão holandês na Expo 2000 em Hannover. Uma torre de paisagens empilhadas (campos de tulipas, dunas, florestas, um lago e moinhos de vento no topo) discutia a auto-suficiência de recursos naturais em áreas compactas e populosas, bem antes das recorrentes manchetes alarmistas de aquecimento global.
A obra deles ganhou notoriedade e se espalhou pelo mundo. Projetos como os vertiginosos apartamentos do asilo WoZoCo em Amsterdam, intrigam e instigam o observador a conhecer de perto. Os edifícios residenciais Mirador, em Madrid e Silodam, também em Amsterdam, propõem novas tipologias de adensamento. O projeto de casas em uma encosta em Liuzhou, na China, coloca a habitação como forma de conter a erosão do solo (favelas ecológicas?). E o corrente anexo do Cleveland Institute of Art serpenteia-se ironicamente sobre o edifício original careta.

Frank Gehry recebe o Leão de Ouro em Veneza

Thursday, July 3rd, 2008
A comissão julgadora da Bienal de Veneza, uma das mostras de arte de maior prestígio do planeta, concedeu para o arquiteto americano Frank O. Gehry o Leão de Ouro de Arquitetura de 2008. Segundo a comissão, Gehry é ‘o arquiteto vivo que demonstrou mais claramente quão maravilhosa e produtiva pode ser a experimentação’.
Junto com a Zaha Hadid, Frank Gehry é talvez o arquiteto mais famoso do mundo atualmente. Desde a inauguração do aclamado Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, suas formas dinâmicas e serpenteadas, cobertas por escamas metálicas, se espalharam por diversos países, com os mais diferentes usos. É o caso do Walt Disney Concert Hall em Los Angeles, o Experience Music Project em Seattle e o Weisman Art Museum em Mineápolis.

Também ganhou fama por sua pesquisa no campo do design com uso de materiais recicláveis em uma época em que o assunto ainda era distante. Suas poltronas e cadeiras de papelão são facilmente encontrados em lojas do mundo inteiro. São fabricados pela Vitra, dona de grande parte do design assinado mais bacana do mundo, e que teve seu museu projetado pelo próprio Gehry.

Mas mesmo antes do uso de softwares de ponta e revestimentos inovadores como o titânio, Gehry sempre rompeu com a tradição das caixas arquitetônicas, e sempre se dedicou a buscar formas distorcidas, quase animadas, para seus prédio. Alguns criticam a supervalorização dos volumes em sua arquitetura, em detrimento da usabilidade dos espaços internos. Eu acho que a briga entre forma e função já deveria ter sido enterrada no século XX, e hoje a busca projetual deveria focar a poética do espaço. E nesse quesito, Gehry é mestre.

Harry Siedler, o modernista australiano

Friday, June 27th, 2008

Não muito conhecido ao redor do mundo, o arquiteto australiano -por-afinidade Harry Siedler imprimiu sua marca como um dos maiores modernistas da ilha. Nascido em Viena, na Áustria, Harry foi estudar em Harvard, onde teve aula com os mestres da Bauhaus Walter Gropius e Marcel Breuer, hasteando logo a bandeira do modernismo mais puro, vindo diretamente da fonte. Chegou inclusive a trabalhar com Oscar Niemeyer.
Em 1948, ainda com 24 anos, ele foi chamado pela mãe até Sydney para construir sua primeira casa. O bloco puro e envidraçado, com uma longa rampa de acesso ao lado e um incrível painel colorido em uma lateral causaram impacto na então provinciana cidade do fim do mundo. Ele tinha desenvolvido aquele projeto ainda na universidade junto a Breuer, seguindo a onda corrente do país onde estudava, mas os australianos ficaram embasbacados com tanta novidade. Harry sabia que provavelmente demoraria muito para ganhar alguma projeção em meio a tantos grandes arquitetos modernistas na Europa e os EUA, então decidiu ficar.
Em um ano ele já estava famoso e nunca mais parou de projetar no país, até a sua morte aos 82 anos, em 2006. Sua esposa Penélope estudou arquitetura para ajudá-lo em seus projetos, mas acabou por estudar também contabilidade, para cuidar da administração do escritório e deixar o marido projetar sozinho. Juntos projetaram sua própria casa em concreto aparente e pedra, com uma inspiração muito bem executada de Frank Lloyd Wright.
O projeto mais audacioso de Siedler foi um plano urbanístico de adensamento para o porto de Sydney, contrapondo com o espraiamento contínuo da cidade. O Blues Point Tower, na ponta da área de intervenção, foi o primeiro arranha céus a ser construído com seus 50 andares, mas a crítica foi tão voraz que o governo deixou o plano de lado e o prédio foi deixado lá, sozinho, marcando a paisagem como um obelisco.
Blues Point TowerEmbaixada Australiana em Paris
Mas isso não o impediu de seguir com sua carreira de sucesso, com muitas casas de sonho como a Berman House de 1999, e muitos edifícios institucionais como o a Embaixada da Austrália em Paris e o Ian Thorpe Aquatic Center, inaugurado em 2007. Ele participou do concurso da Ópera de Sydney vencido por Jorn Utzon, ganhou prêmios na Inglaterra, França, Alemanha e Áustria pela sua obra e ainda publicou um livro de fotografia de arquitetura em 2003, traduzido para sete línguas.
Berman HouseIan Thorpe Aquatic Center

Livro: Artacho Jurado – Arquitetura Proibida

Monday, May 19th, 2008
Acontece amanhã, dia 19 de maio, o lançamento do livro ‘Artacho Jurado – Arquitetura Proibida’ de Ruy Eduardo Debs Franco, na Saraiva do ex-Shopping Paulista, às 19hs. Para quem não sabe, Artacho Jurado foi um empreiteiro que, nas décadas de 30 e 40, driblou todo o elitismo do CREA junto aos arquitetos para espalhar pela São Paulo cinzenta edifícios residenciais lindos, coloridos e hoje em dia disputadíssimos.
Por não ter formação ou licença para assinar projetos, Artacho sempre fez uso da assinatura de terceiros para pôr de pé o que ele acreditava que faltava na cidade. São prédios revestidos de cima a baixo com pastilhas coloridas, em sua maioria rosa, com plantas de excelente dsitribuição, unindo o que havia de mais interessante do modernismo com a art nouveau e deco. Foi ele também que adicionou aos projetos residenciais as áreas comuns, hoje tão caras ao mercado imobiliário. Lançando teorias sobre o lazer comunitário, ele sempre incluía em seus projetos jardins, piscinas, saunas, bares e salões de festas. Caso típico é aquele imenso bloco envidraçado sobre o Edifício Viadutos no final da Av. Xavier de Toledo, que muitos compraram a uma nave espacial.
Com uma arquitetura extremamente formalista, que contorcias as leis modernistas de Le Corbusier, e atuando numa área super regimentada, Artacho foi desprezado pela crítica e sofreu represálias de arquitetos renomados, que o excluíram da história da arquitetura da época.



Recentemente, um movimento de valorização do vintage, que acometeu também o mercado imobiliário, fez com que suas obras voltassem a figurar entre as construções mais valorizadas da cidade. Além do Viadutos, temos outros edifícios muito conservados e conhecidos, como o Cinderela, na Rua Maranhão, o Louvre, na Av. São Luis, o Bretagne, na Av. Higienópolis e o Verde Mar, na orla de Santos.
Apenas mais uma curiosidade: a revista hype inglesa Wallpaper considerou o Edifício Bretagne um dos melhores para se viver no mundo.
(A primeira foto é do Ed. Louvre, e é minha. A segunda e a terceira são o Viadutos e o Bretagne, são do Claudio Zeiger e foram tiradas daqui. A última é o Verde Mar e foi tirada daqui. Mais fotos podem ser vistas aqui.)

O ‘Ninho’, de Herzog & de Meuron

Wednesday, April 16th, 2008

Isso aqui está ficando repetitivo: mais uma inauguração de mais um prédio incrível de grandes arquitetos vencedores de um prêmio Pritzker (2001). Mas dessa vez com comoção mundial.

Neste final-de-semana, uma competição de atletismo abre oficialmente o estádio-símbolo das Olimpíadas de Pequim, conhecido como ‘Ninho’. Previsto para dezembro de 2007, o estádio chega com um pouco de atraso, mas ainda dentro do prazo, e surpreende pela mistura de fachada com estrutura com cobertura com tudo mais que se tem direito. A princípio ele seria coberto, mas parece que vai ficar aberto mesmo. Quem souber o motivo pode me escrever.

Mas para não ficar só nessa eterna redundância, digo que só postei esse projeto, que logo todos verão séries e mais séries de reportagens a respeito, para chamar a atenção dessa dupla: Herzog & de Meuron. Cada vez mais eles se especializam em projetos megalomaníacos bem sucedidos, alcançando o território em que Rem Koolhas foi conceitual demais, e Frank Gehry, egocêntrico demais.

Eles são responsáveis por outro estádio famoso, a Allianz Arena em Munique, feito para a Copa de 2006, junto com a empreiteira Arup, repetindo a parceria na China. O mesmo trabalho de volumetrias geométricas simples e texturas inovadoras também pode ser visto no fórum de Barcelona, na loja da Prada em Tóquio, e no meu favorito, o deslumbrante Tate Modern, em Londres.


Vale a pesquisa e o passeio na sua próxima viagem. Infelizmente, mais uma vez não achei a homepage dos suiços, então bom Google a todos.

Jean Nouvel recebe o Prêmio Pritzker

Tuesday, April 1st, 2008

O Prêmio Pritzker, o ‘Nobel’ da arquitetura, foi dado neste domingo para o arquiteto francês Jean Nouvel. Com 62 anos e uma carreira de fazer inveja a qualquer Niemeyer pela vasta abrangência de temas e locais, ele é hoje talvez um dos maiores ‘Starquitetos’ atuantes.

Seu primeiro grande projeto foi o Instituto do Mundo Árabe em Paris em 1987, com sua fachada tomada por muxarabis tecnológicos que controlam a entrada de luz natural no espaço interno. Desde então, o arquiteto foi chamado para toda sorte de projetos, como a Fundação Cartier, a Ópera de Lyon, o Centro Cultural de Lucerna, arranha-céus de Nova Iorque a Doha, e mais recentemente a primeira e inusitada filial do Museu do Louvre em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.



É ele também o arquiteto chamado para projetar a filial do Guggenheim em plena Baía de Guanabara, projeto que naufragou graças a um governo preguiçoso e aculturado e ambientalistas histéricos.

Apenas mais um arquiteto francês já tinha recebido o prêmio: Christian de Portzamparc, em 1994. Entre os jurados deste ano, estavam dois mestres também vencedores, o italiano Renzo Piano e o japonês Tadao Ando. Entre os brasileiros, temos também apenas dois: Niemeyer em 1988, e Paulo Mendes da Rocha, em 2006.