Depois de umas belas férias, aqui estamos de volta. Férias por dois motivos. O primeiro porque andei às turras com as fantásticas empresas de fornecimento de internet no Brasil, mas como não quero contaminar esse blog com energias negativas, vamos deixar esse assunto para lá.
O segundo, e bem melhor, é que eu mesmo me dei férias e fui conhecer Buenos Aires. Uma vergonha ter ido só agora, já que tenho familiares argentinos. Mas no fim das contas, acabou sendo boa essa demora, já que pude conhecer muita coisa bacana que só foi concluída recentemente, e aproveito para rechear essa minha volta com fotos próprias. Triste só foi constatar que até nossos hermanos estão muito mais aculturados em arquitetura, e importantes obras estão surgindo por lá. Ficamos aqui no aguardo para ver se o projeto do Teatro de Ópera e Dança dá um empurrãozinho na nossa capenga arquitetura contemporânea.
Nem preciso comentar que o mais emocionante foi cruzar o canal do Puerto Madero por cima da Puente de la Mujer, do mestre das pontes Santiago Calatrava. Já falei sobre esse assunto aqui, já postei até foto da ponte em questão, mas ver ao vivo é sempre emocionante. Nem preciso dizer o quanto aquela harpa gigante é linda, elegante, etc.
Também passei pelo Hotel Faena, ali petinho. Projeto do celebrity-designer Phillip Strack, confesso que guardava grandes expectativas e me decepcionei. Consagrado por um estilo kitsch-chique, eu achei um pouco cafona mesmo, mas não conte para ninguém que eu disse isso. O hall de entrada se prolonga por um longo corredor soturno, com pesadas cortinas de veludo, e em nada combinava com o calor sengalês que fazia lá fora. ‘Thumbs Up’ ficam mesmo para a piscina, que é de uma delicadeza única. O bar, aberto ao público, é uma tosca mistura de móveis clássicos em torno de um piano, e quem quiser se aventurar, pode desembolsar os 100 pesos de consumação mínima (cerca de 70 reais). Quer saber, melhor ir no Hotel Fasano do Rio, que vale muito mais a pena.
Mas logo ao lado do hotel, uma boa surpresa. Um grande lote com um stand de vendas anunciava que ali o Grupo Faena vai lançar um empreendimento residencial com projeto de ninguém menos que Sir Norman Foster, o primeiro dele na América do Sul. Dedos cruzados para que ele se anime com a experiência e volte para fazer outras.
Também são incríveis os museus MALBA, em Palermo, e PROA, na Boca. O primeiro, o Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires, guarda preciosidades como o Abaporu, de Tarsila do Amaral, um auto-retrato de Frida Kahlo, Diego Rivera, Lygia Clark, Helio Oiticica, Botero, entra muitos outros grandes. Isso sem contar a arquitetura bem cuidada dos jovens arquitetos Alfredo Tapia, Martín Fourcade e Gaston Atelman. O projeto foi escolhido entre mais de 450 inscritos no concurso de 2001, que tinha no juri gente do peso do próprio Foster, Kenneth Frampton, Cesar Pelli e Mario Botta.
O outro, o mais novo espaço dedicado à arte contemporânea da cidade, ficou fechado por mais de um ano para reformas comandadas pelo escritório italiano Caruso-Torricella, e reabriu incorporando ao edifício antigo dois volumes de vidro, um em cada lateral, e o interior amplo, iluminado e bem minimalista. Melhor ainda foi achar lá a exposição do Duchamp, que passou por aqui em 2008 e eu perdi.
Menos cultural, mas não menos interessante, é o restaurante Olsen. Inteiro decorado com móveis e influências escandinavas, o célebre design da região aparece por todos os lados: nas cadeiras, nos talheres, no cardápio e no menu degustação de vodkas, com mais de 50 tipos diferentes. Recomendo o brunch preguiçoso, que se estende até as 8hs da noite.
Passei pela livraria El Ateneo, que é realmente linda, mas menor do que eu esperava. Não resisti e comprei dois livros, um do designer Jean Prouvé, e outro do artista León Ferrari, mas os livros lá não são muito baratos. E fora isso, visitei um bom milhão de construções clássicas que tanto caracterizam a cidade tida como a mais européia da América do Sul, mas não vou falar a respeito porque senão isso fica ainda mais longo e chato. Quem passar por lá pode descobrir por si só o que Buenos Aires guarda em cada canto escondido.
Nota rápida para lembrar a morte do arquiteto dinamarquês Jorn Utzon, aos 90, no último dia 29 de novembro. Apesar de não ter uma obra muito divulgada, ele foi vencedor do prêmio Pritzker em 2003, e deve grande parte de sua fama ao símbolo máximo de Sydney, a Ópera.
O concurso foi vencido em 1957, mas em 1966 os recorrentes atrasos e problemas de orçamento causaram o rompimento do arquiteto com o governo australiano, fazendo com que ele prometesse nunca mais colocar os pés no país. Como resultado, a obra foi concluída por uma equipe de arquitetos que acabaram por modificar o projeto original. Há apenas alguns anos, Utzon foi finalmente convencido a retomar o projeto e liderar uma série de reformas, inclusive para adequar problemas acústicos do edifício existente.
Steven Holl nunca dormiu no ponto. Há uns cinco anos, quando começaram as movimentações para as obras das Olimpíadas de Pequim, ele foi lá negociar alguns projetinhos entre um chop-suey e outro. Hoje ele deve ser o arquiteto com mais projetos de grande porte recém-inaugurados ou ainda em construção (só desses são 3).
Aproveitando-se do capitalismo desvairado em explosão no país, Holl conseguiu emplacar seus projetos mais ousados na terra que mais busca a ‘novidade pela novidade’ em todas as áreas hoje em dia. Claro que desse desvario arquitetônico vão aparecer grandes desastres urbanísticos, mas nós talvez ainda vamos demorar para saber. Mas uma obra específica, do velho-de-guerra Holl, talvez seja a concretização de muitos sonhos de estudantes de arquitetura às turras com seus projetos de conclusão de curso.
O Linked Hybrid, como foi intitulado, é um gigantesco conjunto de 8 edifícios de usos variados que tinha a premissa de criar novas realidades de conexão entre espaços públicos e privados. A solução do americano foi conectar todos os edifícios no 21º e 22º andares através de grandes pontes que abrigam mais do que circulação – Esse novo layer da cidade receberá restaurantes, galerias e muitos outros serviços, completamente abertos ao público.
A praça central formada entre os prédios terá um lago e um complexo de cinemas se encarregará de trazer o público para dentro. O sistema de ventilação dos prédios conta com 660 poços de ventilação que se enterram 100m dentro do solo, buscando o resfriamento perto de lençóis freáticos profundos. Holl ainda toca na China as obras do complexo de Vanke Center em Shenzhen e o Museu de Arte e Arquitetura de Nanjing.
O empreendedor Ian Schrager é conhecido nos EUA por desenvolver novos conceitos de hotelaria com parcerias como Marriott e Gramercy. Agora ele se aventura também em campo residencial, e seu primeiro e notável trabalho conta com nada menos que Herzog & de Meuron, que fazem seu primeiro projeto em Nova Iorque. A combinação só poderia dar um resultado: luxo cool e exclusividade.
O 40 Bond resgata fórmulas antigas do modernismo e cria um conjunto de apartamentos urbano e contemporâneo, extremamente requintado mas despretensioso. As fachadas livres e os terraços jardins de Le Corbusier, as volumetrias em lâminas, as misturas de tipologias, está tudo lá. Mas a releitura da dupla suiça confere um ar de hotel cinco estrelas para o projeto. A própria solução estrutural é uma interpretação dos métodos tradicionais novaiorquinos de usar estruturas metálicas com grelhas de concreto no perímetro, liberando os interiores de pilares e vigas.
Dois formatos residencias se combinam para atender às 28 unidades solicitadas pelo contratante: 5 sobrados ocupam o térreo, aos que se sobrepõe as 23 unidades de apartamentos convencionais, com tamanhos e tipologias variados. Os sobrados têm todos um quintal próprio ao fundo e um jardim na frente, de face com a rua. Para protegê-los, foi criado um enorme e extraordinário portão escultural de alumínio, inspirado em graffitis.
A textura dos portões rege também os acabamentos de todo o interior do edifício. Paredes sinuosas de gesso, balcões e portas de madeira, forros de inox (incríveis!!!) e pisos de banheiros recebem os mesmo traços livres e criam uma linguagem elaborada, leve e muito sofisticada a todas as unidades. Em contraponto, grandes paredes curvas de superfícies lisas e alvas desenham o espaço com silêncio.
Os apartamentos do 40 Bond seguem a linha loft, com grandes espaços abertos iluminados por painéis de vidro generosos. Os espaços podem ser redivididos por painéis corrediços piso-teto que se incorporam ao mobiliário fixo, desenhado inteiramente pelos arquitetos. É surpreendente ver que uma obra tão modernista conceitualmente possa receber um espírito tão contemporâneo e acolhedor.
Interessou? Então corre, porque só tem mais um apartamento à venda.
Seguindo a tendências das ‘novas máquinas de morar‘, a marca de café italiana Illy levou a compartimentação e a automação para o âmbito comercial. Com a ajuda do arquiteto e artista Adam Kalkin, a companhia adaptou um contâiner de transporte marítimo em um café transportável completo, com direito a barista e tudo.
Em apenas 90 segundos, as faces laterais do contâiner se desdobram para mostrar um interior impecável em forma de uma reinterpretação de uma residência de 5 cômodos, com cozinha, quarto, sala, biblioteca e banheiro. O mecanismo que controla toda a ação das paredes é centralizado em um interruptor simples, que acabou por nomear o projeto: Push-Button-House.
Por enquanto, o projeto só foi apresentado na Bienal de Veneza de 2007 e no Time Warner Center, em Nova Iorque. Não há confirmação de que os café móveis serão fabricados em série, mas espero que não só a Illy leve o projeto adiante, mas que ele seja desenvolvido por outras empresas. Imagina um bar da Absolut na porta da tua casa?
Tóquio é sinônimo de overdose de propaganda luminosa. É impossível não imaginar a capital janponesa como uma cidade inteira de ‘Times Squares’ e ‘Piccadilly Circuses’. Então, quando uma marca poderosa como a Armani resolve desembarcar por lá, não pode haver ponto sem nó. Sabendo disso, o gigante da moda apostou no refinado trabalho de Doriana e Massimiliano Fuksas.
Localizado no bairro chique de Ginza, o prédio de 12 andares proposto pela dupla italiana concorre com a poluição visual do entorno e da concorrente vizinha Dior com uma boa dose de tecnologia e muita elegância. Ao invés de um outdoor, a marca permeia um bosque de bambus dourados gigantes, com folhas luminosas feitas de Plexiglas, e acesas com LEDs sobre uma pele de vidro negra.
As folhas de bambu se espalham também pelo piso das áreas de convivência e em divisórias metálicas recortadas a laser. O departamento ‘Giorgio Armani’ é todo dividido em salottini, saletas separadas por painéis de vidro semi-espelhados e telas metálicas platinadas. Os bambus dourados permeiam as paredes perimetrais e servem de suporte para pateleiras e mostruários transparentes, contrastando com pisos e forros pretos. Já o departamento ‘Emporio Armani’ é totalmente tingido de preto e ressalta a luz vinda de trás dos painéis metálicos recortados com finas tiras e logos da marca. A arquitetura se resveste de moda: transparências, texturas, uso preciso de materiais e uma cartela de cores restrita e cuidadosa.
Não posso evitar a comparação com o fantástico edifício da Tod’s Omotesando, também em Tóquio, do arquiteto japonês Toyo Ito. Lá, as referências naturais oferecem uma solução estrutural originalíssima e totalmente poética. Aqui, os elementos orgânicos se aplicam apenas a características estéticas e estilísticas, mas o resultado em termos de afirmação da marca é forte e eficiente. Este é um ótimo exemplo para acabar com a ditadura das flagships alvejadas de branco como hospitais.
Em semana de abertura de Olimpíadas, e com o trabalho arquitetônico inigualável que se tem feito para esta edição de Pequim, não poderia deixar passar em branco esta semana sem ao menos comentar o espetácular complexo de águas do escritório australiano PTW Architects, e foi contruído pelo grupo peso-pesado mundial de construção civil Arup.
O National Aquatic Center, ou Watercube como foi apelidado, vai sediar todos os eventos de natação, pólo aquático e saltos ornamentais dos Jogos Olímpicos de 2008 em agosto, mas já foi inagurado em fevereiro. Tem uma área de 80mil metros quadrados e abriga até 17mil espectadores. Mas o que impressiona mesmo é a membrana azul que recobre o imenso edifício quadrado. Com tecnologia de ponta, o projeto reveste a arena com uma estrutura geodésica irregular que simula bolhas de sabão.
Nem preciso dizer que o prédio tem todo o blablablá de eficiência ecológica e captação de recursos de energia solar. Aqui, a tecnologia age não só em favor do meio ambiente, mas em especial em favor de um espetáculo estético, principalmente à noite. A membrana feita de teflon transparente ultraleve é feita para reagir à luz das projeções, ampliando sua luminescência, e as diversas camadas de ‘bolhas’ detêm 90% do calor do sol no ambiente interno e este é usado para aquecer a água das piscinas.
A proximidade com o Ninho evidencia a pirotecnia preparada pelos chineses, causando um contraponto muito interessante entre o a malha vermelha redonda e o cubo líquido azul. Pelo menos em termos de arquitetura, estes Jogos Olímpicos serão históricos. E o Brasil ainda quer trazer os Jogos para cá. Como? recuperando o jurássico Maracanã? Eu sinto vergonha alheia de nós.
Ricardo Legorreta é um dos mais famosos arquitetos mexicanos, e aos 76 anos, ele parece que já está querendo passar toda sua bossa para o filho Victor. Conhecido pelo hábil uso de cores vibrantes (junto com seu conterrâneo Luís Barragán) e por um processo projetual que une metodologia com forte apelo de design, ele agora se une ao filho na busca de projetos carregados de senso histórico.
O último projeto da dupla é o pequeno ‘hotel-boutique‘ na cidade de Puebla, cidade fundada por espanhóis em 1531 e que hoje é parte do patrimônio histórico mundial da UNESCO. O edifício de pedra, que antes era uma estação de tratamento e engarrafamento de água, dá nome ao hotel. Grande parte da arquitetura foi mantida, estabelecendo-se um interessante diálogo entre os métodos construtivos vernaculares e a decoração arrojada e contempoânea.
A entrada foi conservada inclusive pelo grande letreiro orignal. O usuário, então, é levado a uma enorme escadaria em preda vulcânica preta que leva ao novo bloco dos quartos, e ao bar, com uma glamourosa piscina de vista espetacular do centro histórico e da Igreja de São Francisco. As cores são usadas com parcimônia, e só ganham o destaque praticado pelo arquiteto nos muitos sofás e pufes modulares violetas distribuidos por toda a área comum.
Os materiais usados também respeitam a arquitetura histórica, e tende a acabamentos rústicos como madeira de demolição, alvenarias caiadas em branco e pedras brutas da região. A decoração dos quartos faz o contraponto com as pesadas paredes de pedra, valendo-se de divisórias de vidro quase imateriais e leves estruturas de aço que se projetam para fora como sacadas, pontuando a fachada do prédio.
Em 1995, uma família de banqueiros doou um parque para a sociedade espanhola, e a partir de um masterplan de Arata Isozaki & Associates, a área está se tornando um grande polo de cultura da cidade de Santiago de Compostela. Depois do centro de estudos internacionais e da escola de música da Universidade de Santiago de Compostela, acaba de tomar forma o inspirado projeto da SGAE (Sociedad General de Autores y Editores), que cuida da propriedade intelectual de diretores, roteiristas, escritores, compositores e coreógrafos do país.
O projeto do Ensamble Studio, posiciona a sede da SGAE de forma que sua frente olhe para o Parque Vista Alegre, e suas costas abracem a curva de uma movimentada avenida. A longa fachada principal é formada por uma escultura de blocos e restos de granito cortado na região, e dispostos despretensiosamente, de modo que o próprio peso das pedras forma estrutura, fechamento e textura. Alguns cabos de aço oferecem segurança ao conjunto, mas o arquiteto Antón García-Abril insiste que a estabilidade é fruto meramente da força da gravidade.
A escultura é um dos lados de um enorme corredor, fechado em seu outro lado por uma fascinante muralha de caixas plásticas de CDs e DVDs, em uma ‘ode à era digital’. Esta parede é iluminada à noite por trás com LEDs que variam de cor infinitamente. Vista do parque, a fachada multicolorida faz referência aos vitrais das catedrais góticas, emoldurados pelo peso do granito. Em um centro de peregrinação tão importante no mundo, a metáfora é forte.
O interior do prédio não deixa de ser surpreendente, em destaque para o uso dos materiais. O programa é divido em quatro blocos, que conversam através de elementos arquitetônicos intrigantes. A ‘administração’ é fechada por paredes de vidro translúcido, oferecendo uma iluminação branca suave e uniforme e a noite fica suscetível aos intercâmbios cromáticos do corredor de entrada. O andar de se divide em ‘educacional’ e ‘difusão cultural’ tem paredes onduladas, concretadas entre toras de pinus e eucaliptos alinhadas e depois retiradas. A iluminação marcada oferece um tom ainda mais dramático ao espaço. Essas mesma toras cobrem as paredes dos laboratórios de informática da área ‘pública’.
A descoberta do projeto se faz ainda mais instigante pelo contraste formado com a fachada posterior, voltada para a cidade, que mistura sobriamente o vidro laminado com tradicionais painéis de pedra e chapas de aço.
PS: Infelizmente achei pouquíssimas fotos o projeto pronto. As poucas boas que achei foram aqui, aqui e aqui. Se eu achar mais eu publico e aviso.
A arquitetura holandesa do século XIX briga por centímetros de nariz com a espanhola pelo pódio, mas elas concorrem com trunfos diferentes. Enquanto a ibérica se esmera em plásticas poéticas e grandiloqüência lúdica, os Países Baixos apresentam as soluções mais inovadoras em questões teóricas, urbanísticas e antropológicas. Talvez a condição territorial tenha forçado o estudo precoce de projeto sobre uma natureza fabricada, e só agora o resto do mundo entenda o que é habitar um mundo em colapso.
O escritório MVRDV, sediado em Rotterdam e formado pelos arquitetos Winy Maas, Jacob van Rijs e Nathalie de Vries, é um dos mais expressivos e prováveis grandes sucessores do incansável Rem Koolhaas, um dos maiores críticos do urbanismo pós-moderno. Não à toa, os dois sócios colaboraram com Koolhaas nos anos 80 no OMA (Office for Metropolitan Architecture), enquanto Nathalie trabalhou no escritório Mecanoo.
Com uma arquitetura singular, analítica e metodológica, busca uma posição fora do campo da arquitetura, intervindo socialmente e ecologicamente no meio. A estética resultante, sejamos sinceros, é complexa e muitas vezes polêmica. Mas a provocação visual intrínseca às suas teorias são sempre fortes armas de posicionamento frente às discussões por elas geradas.
Formado em 1991, o trio ganhou notoriedade pelo projeto do pavilhão holandês na Expo 2000 em Hannover. Uma torre de paisagens empilhadas (campos de tulipas, dunas, florestas, um lago e moinhos de vento no topo) discutia a auto-suficiência de recursos naturais em áreas compactas e populosas, bem antes das recorrentes manchetes alarmistas de aquecimento global.
A obra deles ganhou notoriedade e se espalhou pelo mundo. Projetos como os vertiginosos apartamentos do asilo WoZoCo em Amsterdam, intrigam e instigam o observador a conhecer de perto. Os edifícios residenciais Mirador, em Madrid e Silodam, também em Amsterdam, propõem novas tipologias de adensamento. O projeto de casas em uma encosta em Liuzhou, na China, coloca a habitação como forma de conter a erosão do solo (favelas ecológicas?). E o corrente anexo do Cleveland Institute of Art serpenteia-se ironicamente sobre o edifício original careta.
contra o neo-classicismo
contra os muros e grades,
contra o mercado imobiliário,
contra os carros blindados,
contra o puxadinho e o barraco,
contra o carpete de madeira,
contra janelas mínimas,
contra trânsito e corredores de ônibus,
contra o porcelanato na sala,
contra o (não)urbanismo caótico,
contra maisons, palazzos e residentials,
contra o condomínio,
contra o subúrbio e a periferia,
contra o mau-gosto e a burrice,
contra a falta de cultura,
por uma boa arquitetura